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Saúde emocional: Jovem enfrenta ansiedade por conta de desemprego e isolamento social

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Saúde e bem-estar

Saúde emocional: Jovem enfrenta ansiedade por conta de desemprego e isolamento social


Jovem mostra Carteira de Trabalho e remédio que usa contra a ansiedade (Foto: Divulgação)
Jovem mostra Carteira de Trabalho e remédio que usa contra a ansiedade (Foto: Divulgação)

Sem emprego, com a renda da família comprometida porque o pai foi demitido após quase 30 anos trabalhando na mesma empresa, convivendo com o fim do namoro, distância dos amigos por conta da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) e abusando do consumo do álcool.

Foram esses alguns dos fatores que se tornaram estopim para que um jovem de 24 anos, morador de Cariacica e recém-formado em Engenharia Ambiental, se visse em um dos maiores desafios: enfrentar um quadro agudo de ansiedade.

Sem grandes perspectivas para reverter sozinho a situação diante da conjuntura, ele decidiu buscar ajuda. O jovem já fazia terapia com uma psicóloga e, durante a pandemia, procurou também o apoio de uma psiquiatra.

Atualmente, faz uso diário de um ansiolítico controlado e, aos poucos, está conseguindo driblar o “fantasma” da pandemia.

Em entrevista por telefone, o jovem, que pediu para sua identidade ser preservada, falou sobre os momentos vividos e garante: “Quando chegamos ao fundo do poço, só temos um caminho: subir. É o que estou fazendo neste momento”.

A Tribuna – O que está acontecendo em sua vida durante a pandemia de Covid-19?

Jovem – Eu sempre tive um quadro de ansiedade, mas era controlado. Concluí a faculdade de Engenharia Ambiental e o emprego acabou no final do ano passado.

Esperei o Carnaval achando que tudo voltaria ao normal. Fui procurar emprego na área, mas veio a pandemia, e o mundo desabou.

De que forma?

Não conseguia ver os meus amigos mais, terminei um relacionamento de seis meses, meu pai perdeu o emprego de quase 30 anos como lanterneiro e a minha mãe, que é consultora de cosméticos, passou a assumir grande parte das despesas da família.

Eu me vi em um momento extremamente delicado. Já fazia consumo de álcool, mas extrapolei. Bebia igual a um Opala (carro que fez sucesso nos anos de 1970 e 1980).

Bebia de tudo, gim, vinho, cerveja, para poder passar o tempo. Aqui em casa sempre teve bebida, mas agora dei uma segurada. E as crises, que já faziam parte da minha realidade, foram só aumentando.

Já fazia terapia com uma psicóloga, mas, na pandemia, comecei a ser acompanhado por uma psiquiatra. Quero continuar sendo assistido até acabar essa pandemia.

Sabia que precisava de ajuda para a situação não piorar ainda mais. Afinal, quando chegamos ao fundo do poço, só temos um caminho: subir. É isso que estou fazendo neste momento.

Quais foram as piores crises de ansiedade?

Geralmente, elas aconteciam pela manhã, mas já cheguei a ficar deitado o dia inteiro. Não tinha vontade de levantar, de fazer as coisas. Ficava no celular.

Está usando remédios?

Sim. Faço uso diário, e tenho me sentido bem melhor. É um remédio de faixa vermelha. Ele é um antidepressivo que também é usado no tratamento da ansiedade.

Agora vou começar a trabalhar em um novo emprego. Ainda não é na área. Será com telemarketing.

Hoje me sinto muito melhor, mas ainda não estou 100% livre das crises de ansiedade.

Usou drogas ou tem algum amigo que intensificou o uso na pandemia?

Eu não usei drogas, mas conheço pessoas que fazem isso. Tenho uma amiga, que é jovem, que já fumava maconha e, na pandemia do novo coronavírus, passou a fumar muito. Ela até tentou suicídio recentemente. Tomou vários comprimidos de medicamento e, há três meses, decidiu buscar ajuda de uma psicóloga, e está melhor.


OUTROS CASOS


Empresário larga vício e agora ajuda dependentes

Sem esconder o orgulho e a fé, o empresário Arnaldo Alves Dias Júnior, de 43 anos, garante que, há um ano e oito meses, se libertou das drogas e, hoje, ajuda quem está seguindo por esse caminho, que, muitas vezes, pode ser sem volta.

“Da mesma forma que Deus me ajudou, eu não tenho preocupação de expor a minha imagem e ajudar o próximo porque, hoje, quero ser exemplo do bem. Quero que as pessoas olhem e digam: 'se ele conseguiu, eu também consigo'”.

Mergulhado nas drogas desde os 13 anos, ele admite: “Foi no crack que me afundei. Eu perdi família, casa, carro, moto, emprego, dignidade. Até que um dia eu decidi dar um basta, e agora sou voluntário na Cristolândia. Vou te mostrar uma foto de como eu era quando estava nas drogas. Parecia muito mais velho e acabado. Hoje, renasci, pois Jesus transforma”.

Para reverter a sua história, ele elenca a fé, o apoio da família, sobretudo da mulher, e do psicanalista Francisco Veloso.

Na pandemia, Arnaldo não teve recaída, mas diz: “Muitas pessoas que não usavam drogas começaram a usar, como uma válvula de escape. Uma delas triplicou o uso e, agora, estou estendendo a minha mão. Esta doença não escolhe idade, cor, crença ou classe social”.

“Quase tive recaída”

Sem usar drogas há dois anos, um autônomo, 45, admite que quase teve recaída na pandemia devido ao isolamento social e à ansiedade de ficar dentro de casa. Ele é um dos pacientes que faz terapia com o psicanalista e doutor em Dependência Química Francisco Veloso.

“Quase tive recaída, mas, graças a Deus e com o apoio da família, eu aguentei firme. Só que nem todas as pessoas têm esta mesma força. Eu conheço mais oito pessoas que voltaram para as drogas na pandemia”, contou o autônomo.

Crises de abstinência

Usando crack há 20 anos, um mestre de obras, de 47, passou a ter crises de abstinência e alucinações durante a pandemia. No início, usou a substância nas ruas, mas, com o crescente número de pessoas infectadas pelo coronavírus, ficou confinado em casa e chegou a usar drogas na frente dos familiares, em menor quantidade.

“Ele sonhava que estava usando, tinha crises. A família, bem estruturada, ficou temerosa. Quando as regras de isolamento foram flexibilizadas, ele voltou a trabalhar e a situação melhorou”, contou a assistente social Lucia Sathler Freire, que foi procurada pela família do dependente, em busca de ajuda.

Idosa em depressão

Deprimida e sentindo-se sozinha, uma aposentada de 67 anos tomou vários comprimidos de um medicamento e foi parar em um hospital. Como complemento da renda, ela cuidava de crianças em sua casa, mas, com a pandemia, nem isso podia fazer, o que afetou também o aspecto financeiro.

“Uma fala dela que me marcou foi quando relatou que a vida já não tinha mais sentido e que a pandemia retirou tudo o que tinha: netos e as crianças que cuidava. Agora, está melhor”, contou o psicólogo Felipe Goggi.


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