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Reformas precisam parar por falta de material de construção

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Economia

Reformas precisam parar por falta de material de construção


A falta de materiais de construção tem provocado dor de cabeça entre os consumidores e feito com que muitos tenham que paralisar suas reformas. O motivo é o aquecimento do mercado provocado pelo novo coronavírus.

Com a chegada da crise, muitos moradores resolveram melhorar suas casas e até adquirir novos imóveis. Especialistas afirmam que um dos fatores que levou a este cenário foram os juros baixos.

De acordo com Aristóteles Passos Costa Neto, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon), isso provocou um aumento de consumo. Porém, ao mesmo tempo, a indústria paralisou determinadas produções no início da pandemia, temendo a crise.

O que aconteceu foi o movimento contrário: muitas pessoas querendo comprar e materiais para atender a todos em falta.

“As empresas fazem as compras e não conseguem receber. Este é um problema nacional e aconteceu por vários motivos: muitas indústrias pararam no início da pandemia e agora estão retomando, mas o processo não é rápido. E outro ponto foi o auxílio emergencial, que provocou uma onda de reformas e aumentou o consumo”.

Especialistas do setor destacaram a falta do aço, do PVC e da cerâmica. Houve ainda a menção de mármore e madeira. São materiais importantes para as construções e capazes de provocar atrasos.

“Sem o aço nem a fundação dá para fazer. Já o PVC é usado para a parte hidráulica, são os tubos, os canos. A cerâmica é a parte de revestimento, de acabamento. São itens essenciais. Teve casos de pessoas que precisaram de cerâmica, não encontraram e ficaram com as obras paralisadas”, explicou.

Abastecimento

Fernando Otávio Campos, presidente do Conselho Temático de Relações do Trabalho (Consurt) da Federação das Indústrias do Estado (Findes), afirmou que a acredita que o abastecimento só deve se normalizar no início do ano.

“Nossa previsão é de que normalize até fevereiro, mas temos o risco ainda de atrasar por causa de uma segunda onda da pandemia. No caso das obras, é possível fazer ajustes. Mas com as reformas, aí ocorrem os atrasos mesmo”.

Ele explicou ainda que tanto os fornecedores do Estado, como os de fora, estão com atrasos na entrega de muitos materiais.

O arquiteto e influenciador digital Renzo Cerqueira, 29 anos, está com dificuldade para receber mármore para a cozinha. (Foto: Acervo pessoal)
O arquiteto e influenciador digital Renzo Cerqueira, 29 anos, está com dificuldade para receber mármore para a cozinha. (Foto: Acervo pessoal)

Espera de 1 mês para receber mármore

O arquiteto e influenciador digital Renzo Cerqueira, 29 anos, está passando o maior sufoco por conta de falta de material de construção.

“No final de maio e início de junho, decidi fazer uma reforma grande. Não sabia que a situação estava assim. Por conta da pandemia, um monte de gente está arrumando a casa e, com isso, há falta de material no mercado”, disse.

Ele afirmou que a obra está atrasada. “Esperei um mês para receber bancadas de mármore da cozinha e do banheiro. Estou aguardando madeira para colocar no painel da sala”.

O arquiteto também disse que profissionais do setor também “sumiram” do mercado, pelo mesmo motivo. “Os pedreiros, eletricistas e instaladores estão todos ocupados”.

Dificuldade também para contratar um pedreiro

A procura por pedreiros está cada vez mais alta durante o período da pandemia do novo coronavírus, ao ponto de estar faltando pedreiro para atender a procura atual. A solução tem sido entrar em filas de espera, que podem demorar semanas ou até meses.

É o caso do que vem acontecendo com o pedreiro Jair Moreira dos Santos Filho. O profissional conta que a procura aumentou tanto, durante a pandemia, que ele já tem clientes em uma lista de pelo menos duas semanas de espera para serem atendidos.

“Durante esse período, estou recebendo várias demandas de trabalho e isso está fazendo criar até uma fila de espera de clientes. Tenho alguns clientes que estão esperando entre duas a três semanas para poderem ser atendidos, tamanha a procura durante a pandemia”, ressaltou.

Ele conta ainda que a procura chegou a ser ainda maior no início da pandemia, com filas de clientes que demoravam pelo menos um mês.

“Logo nos primeiros meses da pandemia a demanda era ainda maior, eu tinha clientes que esperavam pelo menos um mês. Mesmo assim, a fila ainda existe”.

Aumento de preços preocupa lojas

Não é apenas a falta de matéria-prima que tem deixado os empresários e consumidores preocupados com a situação. Donos de lojas de materiais de construção também destacaram o aumento do valor de alguns produtos. Tudo isso provocado pela alta procura.

Segundo Bruno Zanetti, empresário do ramo, o rolo de fio de cobre, por exemplo, chegou a dobrar de preço nos últimos meses. Ele pontuou que antes da pandemia do coronavírus o produto custava cerca de R$ 300, mas, de alguns meses para cá, chegou a ver o mesmo material custando R$ 600.

“Alguns produtos estão com aumentos constantes, já vi produto subindo de preço seis semanas consecutivas. Com isso, a gente precisa passar parte do aumento para o consumidor também, infelizmente. Nunca tinha visto coisa parecida antes”, explicou.

Já o comerciante Luiz Levoni afirmou que tem feito pouca reposição de produtos, justamente esperando o momento em que os preços vão baixar. “Estou comprando pouco, porque se o preço cair, eu vou poder adquirir mais barato. Já vi produto tendo aumento de 50%. E isso acaba sendo repassado para o consumidor”.

Aristóteles Passos Costa Neto, vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado (Sinduscon) afirmou que o aumento do valor de alguns materiais impacta diretamente nos custos das empresas. Ele também afirmou que a situação atinge as obras públicas, gerando o risco de que sejam paralisadas.

Saiba mais

  • Com o início da pandemia do novo coronavírus, muitos segmentos da indústria paralisaram parte de suas atividades com medo da crise que se vislumbrava.
  • Com isso, a produção de insumos diminuiu. Porém, o isolamento social fez com que as pessoas procurassem mais reformas e também comprassem novos imóveis.
  • Outros fatores que contribuíram foram a queda de juros e o baixo rendimento da poupança, segundo especialistas do setor.
  • Com o aumento da demanda e a diminuição da produção por parte da indústria, começou a falta matéria-prima nos fornecedores.
  • Isso fez com que muitas pessoas que estavam fazendo reformas, paralisassem as obras.
  • A situação também provocou o aumento de custos de muitos produtos, deixando imóveis com o preço mais elevado.
  • de acordo com especialistas da área, os materiais que mais estão faltando são o aço, o PVC, a cerâmica, a madeira e o mármore.
  • Já entre os produtos que tiveram o maior aumento de preços destacam-se o fio de cobre, o PVC e outros.
  • Os especialistas afirmaram que são materiais essenciais na construção civil. O aço, por exemplo, é usado inclusive para a fundação da obra. Já o PVC são os tubos, os canos, produtos usados em toda a instalação hidráulica de uma casa.
  • A cerâmica é usada no acabamento, no revestimento da obra.
  • A previsão de normalização no abastecimento é fevereiro do ano que vem. Isso, dependendo do cenário da pandemia e de como vai se comportar o vírus com uma possível segunda onda de contaminação.
Fonte: Especialistas entrevistados.

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