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Não me intimidarão e nem me calarão, diz secretário de Saúde do Pará após operação da PF

| 11/06/2020 12:21 h

Alvo de operação de busca e apreensão na quarta-feira (10), o secretário de Saúde do Pará, Alberto Beltrame, diz que não será intimidado e nem se calará.

O inquérito também mira o governador do estado, Hélder Barbalho (MDB), e apura supostos desvios de recursos e fraudes em processos de licitação para compra de ventiladores pulmonares destinados ao combate ao coronavírus.

Presidente do Conass, o conselho nacional dos secretários de saúde, Beltrame recebeu a solidariedade de parte de seus pares, que temem que a Polícia Federal esteja sendo usada para atacar quem antagoniza com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na semana passada, Beltrame encabeçou uma reação veemente à entrevista na qual Carlos Wizard, então secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, afirmava que o governo federal faria uma recontagem do número de mortes causadas pelo novo coronavírus, insinuando existir manipulação dos dados. Duramente criticado, Wizard deixou o cargo em seguida.

Beltrame também criticou publicamente a decisão do Ministério da Saúde de restringir a divulgação de dados sobre o impacto do novo coronavírus no país, da qual depois a pasta recuou.

"Embora constrangido, entristecido e indignado, a operação da PF não foi surpresa, pois tem sido permanente a tentativa de criminalizar os gestores neste momento tão difícil pelo qual passamos", diz Beltrame ao Painel, da Folha de S.Paulo.

Sobre a possibilidade de estar sendo investigado por se opor a medidas do Ministério da Saúde recentemente, ele diz não duvidar.

Imagem ilustrativa da imagem Não me intimidarão e nem me calarão, diz secretário de Saúde do Pará após operação da PF

"Tenho me manifestado com muita veemência, principalmente nestes últimos dias. Não me intimidarão e nem calarão. Somente espero que seja feita justiça. Estou de consciência absolutamente tranquila", diz.

Está sob investigação um contrato do governo do Pará com a SKN do Brasil Importação e Exportação de Eltroeletrônicos, suspeito de fraude. A compra dos respiradores custou aos cofres públicos R$ 50,4 milhões, com dispensa de licitação.

Desse total, metade do pagamento foi feito de forma antecipada à empresa fornecedora dos equipamentos. Houve atraso na entrega dos produtos e eles eram de modelo diferente ao contratado e não adequados ao tratamento da Covid-19.

Beltrame diz que os R$ 25,2 milhões pagos pelos respiradores já foram integralmente ressarcidos aos cofres públicos mediante a formalização de um acordo judicial. Ele também afirma que o equipamentos foram chancelados pela embaixada da China e homologados pela Anvisa no Brasil.

Uma vez constatado o defeito nos equipamentos, afirma, nenhum respirador foi colocado em uso.

Sobre Peter Cassol, secretário-adjunto de Gestão Administrativa na Secretaria de Saúde do Pará em cuja casa foram encontrados R$ 750 mil dentro de uma caixa térmica, Beltrame diz que ele foi exonerado ainda na quarta (10) e que espera que ele tenha a possibilidade de se defender.

"Seguirei na defesa intransigente da saúde, da vida do povo brasileiro e do Sistema Único de Saúde. O farei de cabeça erguida, sereno e capaz de olhar nos olhos de cada brasileiro e paraense e afirmar que estou com a consciência limpa, que tenho convicção de que nada de errado tenha praticado nesta ou em qualquer outra situação ao longo de toda a minha vida pública", conclui.

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