Votação no ES vai ter recorde de eleitores idosos este ano
Com mais de 740 mil eleitores acima de 60 anos no ES, idosos ganham peso inédito nas eleições e passam ao centro das disputas eleitorais.
As eleições deste ano terão um recorde de eleitores com mais de 60 anos tanto no Brasil quanto no Espírito Santo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Estado, serão 740.370 eleitores nessa faixa etária, enquanto no país o total chega a 37.457.537.
Em ambos os casos, esse contingente já representa cerca de um quarto do eleitorado apto a votar. Os números reúnem todas as idades a partir de 60 anos, incluindo os que ainda são obrigados a votar pela legislação, até 69 anos, e aqueles para os quais o voto é facultativo, a partir de 70 anos.
Direito à escolha
Liliane Gabeira, 69, Raimundo de Oliveira, 79, Terezinha de Jesus, 78, Wildson Pina, 72, e Mariângela Pina, 68, vão votar nas eleições deste ano. “Não posso dar o meu direito de cidadão para outro escolher por mim”, diz Liliane, que é professora aposentada e juíza de paz.
“Entendo que é o exercício da cidadania. Quando voto, penso em um país melhor com a sociedade mais feliz e justa”, completa Raimundo, aposentado.
Envelhecimento do eleitorado e impacto nas campanhas
O fenômeno não é novo, embora tenha batido recorde este ano. Desde 2010, o número de eleitores com mais de 60 anos cresce em nível nacional e estadual, acompanhando a tendência de envelhecimento da população brasileira.
Para o consultor político Gabriel Verly, esse processo muda o peso do eleitor idoso nas disputas. “O crescimento do eleitorado acima de 60 anos mostra uma tendência natural do País: o Brasil está envelhecendo. Com isso, o eleitor idoso passa a ser um segmento extremamente importante das campanhas eleitorais”, explica.
Segundo o profissional, isso também faz com que temas de maior interesse desse grupo comecem a dominar o debate público, como bem-estar da família, saúde e aposentadoria.
"Outro tema muito importante é o combate ao etarismo. Se os candidatos conseguirem em seus conteúdos, discursos e entrevistas transmitir com credibilidade a preocupação com esse tema, terão sucesso com esse público que vive esse preconceito na pele no dia a dia"
Consistência pesa mais que velocidade na comunicação
O crescimento do eleitorado mais velho também representa uma mudança “profunda” no planejamento das campanhas eleitorais, avalia Fernando Carreiro, estrategista e criativo de marketing político e eleitoral.
Ele afirma que essa mudança não se dá porque o eleitor idoso seja resistente às novas tecnologias, mas porque reorganiza a hierarquia de confiança no processo de comunicação.
"O envelhecimento do eleitorado exige menos obsessão por velocidade e mais investimento em consistência narrativa. É um público menos suscetível ao brilho efêmero da viralização e muito mais atento à coerência entre discurso, biografia e comportamento"
Na avaliação do consultor em marketing político Darlan Campos, o segmento de pessoas com 60 anos ou mais ainda não recebeu da média das campanhas a atenção proporcional ao seu tamanho e presença eleitoral.
Ele aponta, porém, uma tendência de aumento de discursos e perfis voltados especificamente a esse público, em linha com o que já ocorre hoje com a comunicação dirigida aos jovens.
Setentões ganham peso decisivo nas urnas
Num contexto de polarização política, em que cada voto importa, levar às urnas os eleitores com 70 anos ou mais — para os quais o voto é facultativo — pode ser decisivo, reforça Gabriel Verly.
"Extremamente decisiva a participação dele num contexto de extrema divisão"
Ele explica que isso ocorre porque esse eleitor tende a ser menos volátil e mais decidido em sua posição.
"É preciso transmitir para essas bases eleitorais que a campanha por estar muito polarizada, por ter muita ideologia no processo, se torna fundamental a presença, principalmente, no segundo turmo"
Abstenção entre idosos recua, mas ainda é alta
Os idosos brasileiros têm comparecido mais às urnas nas eleições gerais recentes. A taxa de abstenção recuou em todas as disputas desde 2014, chegando ao menor nível da série histórica em 2024.
Mesmo entre eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto não é obrigatório, a tendência de queda na abstenção se manteve constante.
Em 2014, 63,60% desse eleitorado não votou. Em 2024, o índice caiu para 51,08%, ainda considerado alto.
Para Darlan Campos, é preciso concentrar esforços em mobilização e engajamento desse público.
"O engajamento desse eleitor é fundamental para que ele saia de casa com todos os desafios próprios da idade"
Às urnas, mesmo sem obrigatoriedade
Maria do Carmo Sperandio, 83, Maria de Lourdes Silva, 73, e Sebastiana Vieira Leal, 82, são três mulheres que participam do Centro de Convivência do Idoso (CCI) da Praia da Costa.
Apesar do voto para elas ser facultativo, as três escolheram exercer esse direito. “Nossa participação na votação é primordial nessas eleições. Não podemos deixar de votar no nosso País”, ressalta Maria. Ela tem esperança de que sua participação e de outras pessoas de sua idade ajude a construir um futuro melhor.
Mobilização
Elisa Leite, 65, vai votar nessas eleições porque considera importante e acredita que a mobilização nas urnas pode dar mais visibilidade para desafios que os idosos enfrentam, como a falta de acessibilidade.
Vera Lucia Castellano, 65, e Vera Beatriz Neris Candelot, 74, também vão votar.
As três participam do Centro Municipal de Assistência Social e Esportes (Cemase) em Jardim Camburi.
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