Último acusado por morte de juiz no ES será julgado na quinta-feira
Juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira vai a julgamento acusado pela morte do juiz Alexandre Martins
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O julgamento do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, acusado de envolvimento no assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, foi marcado para quinta-feira (12). Ele é o último acusado do crime a ser julgado. A sessão do Tribunal Pleno será realizada a partir das 9 horas.
Alexandre Martins atuou na Missão Especial de Combate ao Crime Organizado e foi assassinado a tiros na manhã de 24 de março de 2003, quando chegava a uma academia em Itapuã, Vila Velha.
O assassinato teria sido um crime de mando, segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O órgão ministerial aponta que Leopoldo coordenava a 5ª Vara Criminal, onde Alexandre Martins atuou.
Leopoldo supostamente teria se envolvido em um esquema de concessões irregulares de benefícios a criminosos já condenados, mediante o recebimento de vantagens financeiras. Segundo a denúncia, a morte visava à ocultação de outros delitos, como corrupção, ameaças, extorsões e homicídios.
Além da condenação, o MPES pede a perda da função pública, a cassação da aposentadoria remunerada e a decretação da prisão imediata após o julgamento. O órgão informou que atuará no julgamento nos termos da denúncia oferecida à Justiça e com base nas provas dos autos.
“O MPES ressalta que oito dos 10 réus denunciados já foram condenados no curso do processo, tendo sido apenas Cláudio Luiz Andrade Batista, conhecido como Calu, absolvido em julgamento anterior. Portanto, resta pendente de julgamento somente o réu Antônio Leopoldo Teixeira”, informou o órgão.
O Ministério Público destaca a importância da conclusão definitiva do processo, com a devida resposta à sociedade capixaba e, sobretudo, à família da vítima. O Tribunal de Justiça do Estado confirmou a realização do julgamento para amanhã, no Salão Pleno.
O advogado Fabrício de Oliveira Campos, que faz a defesa do juiz aposentado, afirmou que seu cliente sofreu acusações incoerentes, mentirosas e foi atacado por especulações, e não por provas concretas.
“Isso levou a contínuas adaptações e readaptações das acusações contra ele, o que demonstra que não há base para uma condenação. Esperamos um julgamento sereno, racional e analítico”, afirmou.
“Vou estar no julgamento”, diz pai de juiz assassinado
O advogado Alexandre Martins de Castro, de 80 anos, pai do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que foi assassinado em 2003, disse que estará presente no julgamento do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira.
“Durante praticamente 24 anos, vivi muita expectativa, mas sempre tive plena convicção de que o julgamento iria acontecer. Eu confio na Justiça e espero que a condenação seja exemplar”, destacou o advogado.
Alexandre Martins de Castro ressaltou que o assassinato mudou a história do Estado e, principalmente, de sua família.
“Além de meu filho, o Alexandre era o meu melhor amigo. Em todas as datas, aniversário, Dia dos Pais, Natal, a saudade é ainda maior. Eu fiquei impedido de ter netos, mudou a nossa trajetória”, lamentou.
O advogado contou que também teve uma filha, que morreu em um acidente.
O pai do magistrado considera que a legislação brasileira permite muitos recursos e que houve muita espera.
“É muita espera, mas, analisando, há outros pais que nunca veem os assassinos de seus filhos serem julgados. Todos os outros já foram julgados”, ponderou.
O advogado Fabrício de Oliveira Campos, que faz a defesa do juiz aposentado, afirmou que “todos os recursos feitos pela defesa foram para demonstrar ilegalidades e algumas delas foram reconhecidas”, e reforçou ainda que não há elementos para a condenação de seu cliente.
Entenda o caso
Assassinato
O juiz Alexandre Martins de Castro Filho atuou na Missão Especial de Combate ao Crime Organizado.
Ele foi assassinado a tiros na manhã de 24 de março de 2003, quando chegava a uma academia em Itapuã, Vila Velha. A morte teria sido um crime de mando, segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES).
Julgamento
O juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, acusado de envolvimento no assassinato, será o último acusado do crime a ir a julgamento.
A sessão será às 9 horas de quinta-feira (12), no Salão Pleno do Tribunal de Justiça do Estado.
Além da condenação, o MPES pede a perda da função pública, a cassação da aposentadoria remunerada e decretação da prisão imediata após o julgamento.
Das 10 pessoas apontadas por envolvimento no crime, nove já foram julgadas: oito foram condenadas e uma foi absolvida.
Defesa
O advogado Fabrício de Oliveira Campos, que faz a defesa do juiz aposentado, sustenta que não há elementos para a condenação de seu cliente.
Fonte: MPES, TJES, defesa e pesquisa AT.
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