Trio é preso por golpe do falso gerente que fez médico perder R$ 200 mil
Operação identificou titulares de contas laranja, recrutadores e indícios de uma organização criminosa com atuação interestadual
Três pessoas foram presas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no golpe do falso gerente bancário. A vítima, um médico de 74 anos, morador de Goiás, perdeu cerca de R$ 200 mil após ser enganada pelos criminosos.
Uma mulher, de 23 anos, foi presa em Viana e outros dois homens, de 24 e 42 anos, foram presos em Vila Velha durante uma ação da Polícia Civil do Espírito Santo com apoio da Polícia Civil de Goiás.
Segundo os delegados, as prisões revelaram que o esquema criminoso era maior do que o inicialmente identificado. A investigação aponta que os envolvidos atuavam em diferentes funções, desde a aplicação dos golpes até o recrutamento de pessoas para ceder contas bancárias. Além disso, os suspeitos citaram a existência de integrantes no Rio de Janeiro, que agora também serão alvo das investigações.
Como o golpe foi realizado
De acordo com o adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Ícaro Olimpio, os criminosos entraram em contato com o médico passando-se pelo gerente bancário dele informando que sua conta estava sendo alvo de ataques e apresentava transferências e pagamentos agendados.
Segundo a investigação, os criminosos ofereceram uma suposta ajuda e disseram que enviariam um link pelo WhatsApp e que essa seria a forma que eles solucionariam o problema.
"A vítima chegou a clicar no link, enviou o código de confirmação e, a partir daí, os criminosos conseguiram acessar a conta e realizar diversas transferências culminando em um prejuízo de mais de R$ 200 mil", explicou o delegado Ícaro Olimpio.
O delegado também explicou que os golpistas detêm o conhecimento técnico para falar com as vítimas, mas também para recrutar e ensinar outras pessoas a integrar a organização criminosa.
Prisões
Após sofrer o golpe, o médico abriu um boletim de ocorrência e a Polícia Civil de Goiás identificou que a conta para a qual o dinheiro havia sido transferido era vinculada a uma moradora do Espírito Santo. A partir daí, as policias civis dos dois estados trocaram informações até chegar a uma mulher apontada como responsável por receber os valores desviados em sua conta bancária.
Os policiais se deslocaram até uma loja de óculos e lá a gerente e as funcionárias confirmaram que a suspeita trabalhava no local e que já desconfiavam que ela estaria aplicando golpes. A suspeita não foi encontrada no local mas, após rápida investigação, foi descoberto que ela estaria residindo em Viana com a avó.
"Ela confessou os fatos ao ser abordada pela equipe e também mostrou o aparelho celular de livre espontânea vontade, inclusive indicando pessoas que seriam os recrutadores desse golpe. Ou seja, ela falou ali que seria, entre aspas, uma mera recebedora dos valores", disse o chefe da Divisão Patrimonial (DRCCP) e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade.
Ainda de acordo com o delegado, a mulher informou que recebeu entre R$ 4 e 5 mil pelo golpe, enquanto os recrutadores ficaram com aproximadamente R$ 50 mil. Apesar de inicialmente a suspeita ser apenas uma recebedora dos valores, ela passou a atuar no recrutamento de novos integrantes para o esquema.
Uma das equipes da DRCC se deslocou até a região de Itaparica, em Vila Velha, onde o suspeito foi localizado na companhia de outro homem, morador da Serra, que também participaria do esquema.
"Eles foram autuados, não só pela cessão da conta laranja, mas também pela fraude eletrônica, pela lavagem de capitais e pelo artigo 288 do Código Penal, que é a associação criminosa", disse o delegado Ícaro.
A suspeita citou ainda um pessoal do Rio de Janeiro que também estaria participando desses golpes e, por conta disso, as investigações continuarão para descobrir quem seria esse pessoal.
Os três suspeitos foram presos em flagrante e tiveram as prisões mantidas após audiência de custódia.
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