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Traficante que matava e divulgava fotos das vítimas é preso em prédio de luxo

Homem de 26 anos comandava grupo que tinha o hábito de compartilhar fotos de corpos de pessoas assassinadas

Kananda Natielly e Taynara Nascimento, do jornal A Tribuna | 22/07/2022 16:48 h

Entre as apreensões feitas pela polícia estão  15 mil reais em espécie, pelo menos quatro armas e munições
Entre as apreensões feitas pela polícia estão 15 mil reais em espécie, pelo menos quatro armas e munições |  Foto: Divulgação/PC ES
 

Um traficante, de 26 anos, apontado pela Polícia Civil como o líder de uma quadrilha que cometia homicídios na região da Grande Santa Rita, Vila Velha, foi preso, ontem, na Praia de Itaparica, no mesmo município. 

O traficante Wendel Almeida Oliveira estava no apartamento de luxo, onde  morava com a mulher, que também foi presa, e os filhos. O prédio fica em uma região com vista para o  mar.   

A prisão de Wendel  faz parte da Operação Obituary, desarticulada pela Polícia Civil, ontem.  O nome faz referência ao  modus operandis dos bandidos,  que pertencia  ao grupo já que, após cometerem os assassinatos, os bandidos  tinham o costume de registrar o crime e compartilhar as imagens dos corpos das vítimas entre eles.

Wendel  é apontado pela polícia como gerente do tráfico do bairro Alecrim, que faz parte da região da  grande Santa Rita, juntamente como os bairros Alvorada, Santa Rita, Primeiro de Maio, Ilha da Conceição, Pedra dos Búzios, Vista da Penha e  Zumbi dos Palmares.  

Ao todo, participaram da operação cerca de 60 policiais que cumpriram 20 mandados de busca e apreensão. Pelo menos nove pessoas foram presas, entre elas Wendel,  sua mulher, seu cunhado e outras pessoas de sua família. 

Na casa do líder da quadrilha, a polícia encontrou 15 mil reais em espécie, dois carros, sendo um Honda Civic e um Corolla. Além disso, pelo menos quatro armas foram apreendidas na casa de outros integrantes da quadrilha. 

O videomonitoramento do prédio registrou o momento em que policiais entraram no local para realizar a prisão. 

Os policiais entram em um dos elevadores do local com o acusado, sua esposa e os filhos do casal. Wendel aparece algemado e recebe um beijo da mulher, que  se mantém calma a todo momento, sem reação de espanto.

 Os nove presos foram levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Vitória, onde foram cumpridos os mandados de prisão por associação ao tráfico.

Distribuidora e loja de roupas para lavar dinheiro

Uma distribuidora de bebidas no bairro Alecrim, em Vila Velha, e uma loja de roupas da mesma região eram usadas pelo  traficante Wendel  Almeida Oliveira, de 26 anos,  e sua família para lavar dinheiro do tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil.

O nome de uma das empresas estaria no registro de um homem que está em Portugal, mas para a Polícia Civil, estaria usando nomes laranjas para lavar o dinheiro responsável por comprar drogas, armas e manter a vida de luxo do gerente da região de Alecrim. 

Segundo o chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Romualdo Gianordoli, o valor que Wendel  arrecadava e lavava ficava em torno dos R$ 50 mil, todos os meses. 

Os estabelecimentos não foram fechados por falta de ordem judicial, mas segundo a polícia, os nove presos participavam do esquema de lavagem de dinheiro também.  

“A empresa ainda funciona em nome de laranja. Esse rapaz que mora em Portugal era da região e depois foi embora”, disse o delegado. 

Participaram da ação policiais da  Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa ( DHPP) de Vila Velha e da  Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Facção responsável por 15 mortes

Os nove presos na Operação Obituary fazem parte da facção criminosa denominada de Terceiro Comando Puro (TCP)   que, segundo a polícia, é responsável por mais de 15 homicídios nos bairros,  Alvorada, Santa Rita, Primeiro de Maio, Ilha da Conceição, Pedra dos Búzios, Vista da Penha e  Zumbi dos Palmares, que    fazem parte da Região da Grande Santa Rita. 

O grupo também seria responsável por um triplo homicídio que aconteceu em Jaburuna, no último dia 25 de janeiro, quando dois homens de 22 e 26 anos e uma mulher de 46, foram mortos de madrugada. 

Para o  chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Romualdo Gianordoli, o TCP é uma facção fragmentada sem um comando central, diferente da Facção do Primeiro Comando de Vitória (PCV), sediado em Vitória e com cadeia de comando. 

“Praticamente, temos essas duas facções lutando pelo comando do tráfico na região de  Santa Rita: TCP x PCV. O TCP funciona como uma cooperativa, são várias lideranças que inclusive emprestam armas umas às outras  mas, de fato, o TCP tem a maior parte do território da Grande Santa Rita”, disse.

Ainda segundo o delegado, os crimes eram praticados de forma brutal com várias armas e muitos disparos para mostrar poder. 

 A guerra pelo tráfico tem sido responsável por mais de 80% dos homicídios, segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Márcio Celante. 

Só neste ano, o Estado registrou 526 homicídios, destes, 97 foram em Vila Velha.

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