Torneiro mecânico fabricava submetralhadoras inspiradas em armas russas
Oficina clandestina em Vila Velha fazia protótipos de armas usadas em guerra para vender a criminosos
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Quem passava pela casa de um torneiro mecânico em Cobilândia, Vila Velha, não imaginava o que estava escondido nos fundos do quintal. Era a oficina clandestina de um importante armeiro do tráfico, que fornecia submetralhadoras para várias facções da Grande Vitória.
José Batista Jesus da Costa, de 40 anos, é natural da Bahia e foi preso no último dia 11, em uma operação do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc).
Na oficina dele, os policiais encontraram oito armas: quatro submetralhadoras caseiras sofisticadas produzidas por ele, além de dois revólveres, uma carabina e uma pistola, que ele fazia manutenção para os criminosos.
Nos últimos meses, o aumento das apreensões de armas caseiras chamou a atenção da polícia, que começou a investigar quem estava fabricando os armamento, chegando até José Batista.
O torneiro mecânico usava os conhecimentos específicos para produzir o armamento, principalmente para as facções de Vila Velha, mas entregava para toda a Grande Vitória. A polícia encontrou indícios até de encomendas feitas por traficantes de outras cidades, como Cariacica.
Para entregar as armas, o criminoso contava com um motoboy.
“Impressionou a quantidade de armas e especialidade em produzir armas modernas. Informalmente, ele disse que já fabricava essas armas há seis meses”, explicou a delegada Larissa Lacerda, responsável pela operação.
Só no último mês, ele disse ter fabricado 30 armas. Por isso, a polícia estima que o criminoso, nesses seis meses, tenha entregue, pelo menos, 200 armas ao tráfico.
Guerra
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, o tipo de arma que o criminoso fabricava é usado até em guerras.
“Esse tipo de armamento é fabricado fora: em Israel, na Rússia. Ele fez um protótipo. Aqui ainda não houve apreensão, que eu me recorde, desse tipo de armamento”, disse o delegado.
A técnica usada pelo torneiro mecânico possibilitava até uma “economia” de munições. Ele conseguiu colocar um mecanismo para o bandido escolher se iria atirar “tiro a tiro” ou em rajada.
Submetralhadora de R$ 10 mil
As submetralhadoras fabricadas pelo armeiro preso em Vila Velha têm alto valor no mercado clandestino. De acordo com a polícia, ele vendia o material por preços entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
“Além de fornecer, ele também dava manutenção para armas do tráfico da Grande Vitória inteira. Existem outros armeiros, mas foi uma prisão muito importante até pela forma moderna como ele produzia os armamentos”, disse a delegada Larissa Lacerda.
Quando a polícia chegou à oficina clandestina em Vila Velha, encontrou as armas escondidas em estofados e embaixo de outros equipamentos. No momento da ação, o acusado estava mexendo em acessórios de armas.
Ele foi preso em flagrante e indiciado por fabricação comercial de armas. Agora, a polícia quer descobrir se há outros envolvidos nesse comércio clandestino, além de tentar identificar os compradores.
“Prisão importante, retirada da rua de um armeiro altamente especializado em confeccionar submetralhadoras, inclusive dessas menores, mais fáceis de esconder e manusear”, disse o delegado-geral José Darcy Arruda.
Em abril deste ano, outro fornecedor de armas para traficantes do Estado foi preso, em uma ação conjunta com a Polícia Federal, em Goiânia. Ele estava foragido na cidade há pelo menos 4 meses.
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