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Portos capixabas estão na rota internacional do tráfico

Grupos criminosos, como o PCC, aliciam mergulhadores e portuários para colocar cocaína em navios, que é enviada para Europa

Kananda Natielly, do jornal A Tribuna | 18/07/2022 13:58 h

A maioria das drogas estavam escondidas em cascos de navio e foram apreendidas pela Polícia Federal.
A maioria das drogas estavam escondidas em cascos de navio e foram apreendidas pela Polícia Federal. |  Foto: A Tribuna
 

Contêineres, cascos de navios e até veleiros são as formas mais usadas por traficantes para o transporte de entorpecentes em portos de todo o País. No Estado, apreensões recentes de cocaína nesse modal revelam que os portos capixabas se tornaram verdadeiros atracadouros para o tráfico internacional de drogas.

Somente este ano, cerca de 800 quilos de cloridrato de cocaína foram apreendidos nos portos capixabas, segundo a Polícia Federal. A maior parte das drogas estava escondida em cascos de navios.

“Até dezembro do ano passado, não havia sido realizado nenhum tipo de apreensão de drogas  nesse modal. De lá para cá, fizemos outras apreensões com a mesma característica. O Espírito Santo virou verdadeiramente rota internacional para o tráfico de drogas”, disse o delegado federal Bruno Zane Santos, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

Ele explicou que a carga ilegal tem como principal destino a Europa e muitas vezes segue viagem dentro de contêineres, escondidas em meio às mercadorias. 

Para agravar a situação, o esquema conta, inclusive, com a participação de funcionários dos portos, empresários e até mergulhadores, que eram pagos para colocar os entorpecentes na área de fundeio das embarcações.

“Além desses mergulhadores, as  organizações criminosas aliciam até  velejadores que fazem a volta ao mundo para ocultar a droga”, disse o delegado.

PCC

Bruno Zane afirmou ainda que facções criminosas conhecidas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) de São Paulo, já atuam em território capixaba.  Para o delegado, a forma mais eficiente para combater o tráfico internacional é a descapitalização do mesmo.

Delegado  Bruno Zane diz que carga ilegal, muitas vezes, segue viagem em contêineres em meio às mercadorias
Delegado Bruno Zane diz que carga ilegal, muitas vezes, segue viagem em contêineres em meio às mercadorias |  Foto: Fábio Nunes/ AT

“Retirar todo esse patrimônio das mãos da organização criminosa é uma forma de  acabar com ela. Para  isso, é importante descapitalizá-la, retirando carros,  barcos, aviões, contas bancárias e imóveis.  Sem poder econômico, ela não consegue ir à Colômbia  para comprar mais  cocaína ”, disse o delegado federal.

No início do ano, após um mês de investigação, o mergulhador espanhol Joaquín Francisco Gimenez, de  34 anos, foi preso. Ele é acusado de integrar a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Mergulhadores recebem até R$ 200 mil de traficantes

As investigações que apuram  o envio de cocaína para a Europa, feito por meio náutico, descobriram que organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) aliciavam mergulhadores.  

Para convencer esses profissionais a utilizarem suas técnicas de mergulho para cometer o crime, os criminosos chegavam a oferecer  pagamento de até R$ 200 mil.

“Eles aliciam esses mergulhadores profissionais pela técnica que esses profissionais possuem. Mergulham com a carga, abrem o  gradeamento que fica embaixo do navio e amarram as drogas”, explica o delegado federal Bruno Zane Santos, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

Embora a proposta possa ser interessante, o delegado destacou as consequências que o trabalho ilícito trazem para quem aceita os valores oferecidos pelos bandidos.

“Além de responder por vários crimes, a pessoa que aceita uma proposta dessa ainda corre risco de vida. Não é um mergulho fácil, é feito à noite, tem uma série de perigos”, disse o delegado.

Em maio deste ano, um mergulhador capixaba morreu ao tentar retirar drogas que estavam na casca de um navio no mar da Austrália. O caso aconteceu na cidade de Newcastle.

Mais de 40 anos de cadeia

A pena de reclusão para quem comete tráfico internacional de drogas pode passar de 40 anos, dependendo da forma que o crime é praticado.

“A pessoa pode responder por associação criminosa, tráfico e até por lavagem de dinheiro. Se somarmos toda a pena, pode passar dos 40 anos”, explica o delegado federal Bruno Zane Santos, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.

Além de ter uma pena de reclusão que pode ultrapassar os 40 anos, o cometimento do crime, para aqueles que atuam nas organizações criminosas, fazendo a retirada das drogas nos navios, como é caso dos mergulhadores, pode custar até a própria vida. 

Por isso, a Polícia Federal já atua com trabalho de prevenção, por meios das investigações, afim de obter mais informações sobre as estratégias usadas pelos bandidos.


SAIBA MAIS

Apreensões 

Pelo menos quatro apreensões de cocaína foram feitas em portos capixabas.

Cascos de navios 

A maioria  das drogas estavam escondidas em cascos de navio. Ao todo, mais de 800 quilos da droga foram apreendidas pela Polícia Federal.

somente em 2021, cerca de 900 quilos de cocaína foram encontrados acoplados no casco de um navio.

Rota do Tráfico 

O grande número de apreensões no modal marítimo coloca o Espírito Santo em lugar de destaque para o tráfico internacional de cocaína.

A logística do Estado e a facilidade de embarcação de drogas, segundo a Polícia Federal, contribuem para o tráfico de drogas.

Aliciamento

Para colocar as drogas nos cascos, organizações criminosas, como o PCC, aliciam mergulhadores, motoristas e portuários. 

Mergulhadores

No Estado,  uma investigação da Polícia Federal, que aconteceu em dezembro do ano passado, descobriu que o mergulhador espanhol Joaquín Francisco Gimenez havia sido contratado pelo PCC para coordenar o envio de cocaína para a Europa.

Foi por meio  de uma apreensão de drogas, dentro de uma casa que fica em Vila Velha, que a polícia chegou até três suspeitos, que tiveram seus celulares apreendidos. Assim, a polícia descobriu que o mergulhador  se preparava para esconder 900 kg de drogas em pelo menos um navio. 

O “Aquaman do crime” , como é conhecido, conseguiu fugir do Espírito Santo, mas foi preso no dia 11 de janeiro, no Guarujá, litoral paulista.

Fonte:  Polícia Federal

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