Policial é preso e outro afastado suspeitos de cooperar com tráfico de drogas no ES
Agente é alvo de investigação que apura ligação de policiais com o crime organizado; ação é desdobramento de operação anterior
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Um policial civil foi preso e outro afastado, na manhã desta quarta-feira (18), suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas no Espírito Santo. De acordo com a Polícia Federal (PF), os agentes são investigados por integrar uma organização que mantinha um esquema de cooperação ilícita com o crime organizado no Estado.
A prisão e o afastamento ocorreram durante a segunda fase da Operação Turquia, que investiga um grupo, formado por policiais lotados no Departamento Especializado em Narcóticos da Polícia Civil (Denarc), que estaria desviando drogas apreendidas durante as diligencias para a própria organização criminosa. Pelos elementos colhidos, uma fração dos entorpecentes não era registrada nos boletins de ocorrência e acabava sendo repassada a intermediários indicados pelo grupo.
De acordo com a PF, os policial preso durante a operação já estava sendo investigado, e havia sido afastado de suas funções na Polícia Civil após a primeira fase da investigação. O outro agente teve o pedido de afastamento da função pública cumprido. Além dos agentes, outras cinco pessoas foram presas por envolvimento com a quadrilha, quatro por pedidos de prisão temporária, e outra em flagrante, após a localização de entorpecentes em uma das residências investigadas. Também foram deflagrado três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos.
Em novembro de 2025, outros dois policiais civis haviam sido presos, e três afastados das suas funções públicas, por envolvimento com a quadrilha. Ao todo, são quatro
As ações desta quarta-feira (18) foram realizadas dentro do contexto da megaoperação nacional, denominada "Força Integrada I”, que mobiliza as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) de Segurança Pública no combate ao tráfico de drogas e de armas, à atuação de facções criminosas, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Operação Turquia
A investigação envolvendo a organização criminosa teve início em 2024, após a prisão de um dos principais líderes do tráfico de drogas na Ilha do Príncipe, em Vitória.
Com o aprofundamento das apurações, foram verificados fortes indícios de que o preso e os policiais civis mantinham relação, apontando para uma possível cooperação entre os mesmos durante as diligências policiais.
A investigação revelou, ainda, que um dos policiais era responsável por repassar informações sigilosas de dentro do sistema das forças de segurança para beneficiar a organização criminosa.
Os policiais podem responder pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e por integrar organização criminosa, além de peculato, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem e de dinheiro.
O nome da operação, “Turquia”, faz referência ao codinome “Turco”, utilizado pelo líder criminoso para se referir a um dos policiais investigados. A denominação simboliza a relação de proximidade estabelecida entre o servidor e o integrante da facção, evidenciada nas comunicações interceptadas ao longo da investigação.
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