Polícia detalha momentos de terror vividos por adolescente mantida em cárcere no ES
Menina, de 14 anos, foi estuprada e agredida diversas vezes pelo suspeito. Homem foi preso em Minas Gerais nesta semana
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"Estamos diante de um caso grave, que choca pela crueldade que esse indivíduo praticou com a vítima". Foi assim que o titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Marcelo Cavalcanti, classificou o caso da adolescente de 14 anos que foi estuprada e mantida em cárcere privado por um homem no bairro São Marcos III, na Serra, em março deste ano.
O suspeito de cometer o crime foi preso preventivamente na última quarta-feira (15), em Minas Gerais. De acordo com as investigações da Polícia Civil, o homem, de 49 anos, fez ao menos uma outra vítima — e há a possibilidade que novas denúncias surjam nos próximos dias.
Adolescente viveu momentos de terror, diz polícia
Durante uma coletiva realizada na manhã desta sexta-feira (17), investigadores deram detalhes sobre os momentos de terror vividos pela adolescente no mês de março. A menor de idade, que foi atraída pelo suspeito dentro do Terminal de Campo Grande, em Cariacica, foi mantida em cárcere pelo homem por três dias e foi vítima de diversas agressões, estupros e tortura.
O caso teve início no dia 8 de março, um domingo, quando a adolescente esteve no terminal rodoviário. No local, o homem teria se aproximado da menor afirmando que gostaria de ajudá-la doando roupas. Em seu depoimento ao Conselho Tutelar, a menina contou que, primeiramente, o homem afirmou que a irmã dele era proprietária de uma loja de vestimentas e que ela teria produtos para doar. Para a mãe, a vítima contou que o homem disse, ainda, que sua irmã era policial e, por esse motivo, poderia realizar a doação.
A menor, então, seguiu o homem até o endereço, localizado na Serra. Assim que chegaram no local, o suspeito passou a realizar ameaças, afirmando que cortaria o pescoço da adolescente caso ela gritasse. Neste momento, os estupros tiveram início e, durante a noite, a menina também foi agredida com socos e tapas, além de ter sido obrigada a tomar remédios e ingerir bebidas alcoólicas.
No dia seguinte, uma segunda, as agressões aumentaram. Segundo a polícia, o homem levou a menor de idade até uma área de mata, onde a amarrou em uma árvore com pedaços de plástico e uma mordaça. No local, a menina foi vítima de novas sessões de estupro e agressão, tendo a cabeça empurrada contra um árvore. Em seguida, o homem a deixou no local sozinha por horas, ainda amarrada e vendada.
"A vítima ficou sem comer e sem beber, aguardando durante todo dia. Quando o agressor voltou, não conseguiu soltar as amarras da mão dela e usou um isqueiro para queimar o plástico", detalhou o delegado Marcelo Cavalcanti. Na volta para o cárcere, a menor foi vítima de novos estupros.
Foi neste momento que, ainda segundo os investigadores, a adolescente entendeu que precisaria continuar na casa para ter chances de fugir. "Ela percebeu que se ela tentasse fugir ou demonstrasse alguma resistência, ele levaria ela para mata de novo. Então, de domingo para segunda, ela falou 'eu não vou mais tentar fugir', 'eu vou ficar aqui, só me deixa trancada aqui, não me leva para a mata de novo'. Foi quando ele deixou ela em casa", explicou a adjunta da DPCA, delegada Thais Cruz.
No dia seguinte, o homem saiu para trabalhar e deixou a menina sozinha na residência. A adolescente, então, viu um homem passando na frente do local e pediu ajuda. Ao ouvir os gritos, o homem acionou a Polícia Militar, que invadiu o imóvel e resgatou a menina. Ela possuía diversos ferimentos e passou uma semana hospitalizada.
"No local onde ela estava sendo mantida, havia uma janela, por onde ela conseguiu gritar por socorro e pedir ajuda a um vizinho. Pela janela, o vizinho conseguiu ver que ela estava machucada e acionou a polícia. Ela apresentava vários hematomas porque, além dos crimes sexuais, ele era extremamente violento e a todo momento a ameaçava de morte e torturava ela", destacou Cavalcanti.
A investigação, agora, prossegue para tentar identificar novas vítimas. "A polícia analisa o cenário de que o suspeito possa ter cometido esses crimes com outras vítimas, que por medo ou vergonha não denunciaram. Nós alertamos que estamos de portas abertas para receber denúncias e é importante que possíveis vítimas procurem a polícia para investigarmos o caso. Ele tem um histórico de cometer outro crime, com outra adolescente, que seria sua cunhada à época", destacou o delegado.
Entenda o caso
A adolescente de 14 anos foi resgatada no dia 10 de março, após ser mantida em cárcere privado por três dias em uma residência localizada no bairro São Marcos II, na Serra. A vítima foi encontrada com hematomas e sinais de violência física e sexual e foi encaminhada à um hospital da região, onde passou cerca de sete dias hospitalizada devido aos ferimentos.
Logo após o crime, o suspeito não retornou para o endereço onde residia e estava foragido da justiça. Ele foi localizado e preso nesta quarta-feira (15), no município de Governador Valadares, em Minas Gerais.
"No momento em que ela foi resgatada ela estava em choque e chorando muito. O relato da mãe é de que quando elas se reencontraram, ela entrou em crise de choro e contou o que ela havia passado durante os três dias de cárcere. Ela passou cerca de sete dias hospitalizada após o resgate", concluiu a delegada Thais Cruz.
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