Polícia desmonta esquema de cocaína vendido em bairros nobres de Vila Velha
Droga de alta pureza era distribuída para clientes de maior poder aquisitivo; dois suspeitos foram presos e prejuízo ao tráfico chega a R$ 500 mil
A Polícia Civil desarticulou na tarde da última quinta-feira (02), parte de uma organização criminosa especializada na comercialização de cocaína de alta pureza, conhecida como "escama de peixe", durante uma operação realizada em Vila Velha e Guarapari. A ação resultou na prisão em flagrante de três suspeitos, na apreensão de drogas, uma arma de fogo, dois veículos — sendo um deles importado — e anotações do tráfico que devem ajudar a identificar outros integrantes da quadrilha.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc) e teve início após o setor de inteligência da corporação receber informações sobre um esquema de distribuição de drogas voltado para bairros nobres de Vila Velha. Durante cerca de um mês, os policiais monitoraram os investigados até reunir provas suficientes para solicitar à Justiça quatro mandados de busca e apreensão.
De acordo com o elegado-geral da PCES, Jordano Bruno, a organização abastecia principalmente os bairros Praia da Costa, Itaparica e Itapuã, atendendo consumidores de maior poder aquisitivo. A liderança do grupo residia em Setiba, em Guarapari, de onde coordenava a distribuição dos entorpecentes.
Segundo as investigações, o líder não armazenava a droga na própria casa. A cocaína ficava escondida na residência de outro investigado, que recebia pagamento para guardar o material. Mesmo assim, o responsável pelo esquema possuía uma chave do imóvel e retirava a droga sempre que precisava abastecer os pontos de venda.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais localizaram a cocaína em um dos endereços e apreenderam uma arma de fogo e anotações relacionadas ao tráfico em outro imóvel. Os registros serão analisados e poderão contribuir para a identificação de outros envolvidos na organização.
Dois homens foram presos em flagrante em Vila Velha. Um deles, de 28 anos, é apontado como responsável por armazenar a droga. O outro, de 31 anos, seria o encarregado de retirar o entorpecente, realizar as vendas e repassar o dinheiro ao líder da quadrilha. O homem apontado como chefe do grupo, de 30 anos, foi levado para prestar depoimento, mas acabou liberado por não ter sido preso em flagrante e por não haver mandado de prisão expedido contra ele.
Segundo a adjunta do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), delegada Fernanda Prado, a "escama de peixe" é uma cocaína com alto grau de pureza, identificada preliminarmente pelo aspecto translúcido semelhante ao brilho de escamas de peixe. A substância é considerada mais perigosa à saúde por aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e convulsões, além de ser comercializada por um valor entre três e quatro vezes superior ao da cocaína comum. A confirmação da composição será feita por meio de perícia.
A Polícia Civil informou ainda que não divulga o valor estimado da droga apreendida para evitar estimular o comércio ilegal. No entanto, o prejuízo causado à organização criminosa, somando drogas, arma e veículos apreendidos, foi estimado em cerca de R$ 500 mil.
As investigações continuam para identificar a origem da droga e outros integrantes da organização criminosa.
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