“Penso nela todos os dias”, diz irmão de Araceli
Luiz Carlos Cabrera Crespo disse que o assassinato da irmã destruiu a família
“Penso nela todos os dias”. A afirmação é de Luiz Carlos Cabrera Crespo, 63 anos, irmão de Araceli, assassinada aos 8 anos, em 1973, em Vitória. Morando no Canadá, ele falou com a reportagem de A Tribuna, nessa quinta-feira (05), por telefone.
A conversa aconteceu após o corpo do empresário Dante Brito Michelini, 75, o Dantinho, ser encontrado decapitado, carbonizado e em estado avançado de decomposição num sítio em Meaípe, Guarapari. Dantinho foi investigado pela morte de Araceli, que virou símbolo do combate ao abuso infantil.
Luiz Carlos disse que era muito apegado à irmã e que tinha 12 anos quando o crime aconteceu. “Penso nela todos os dias. A gente era muito apegado. Moramos por sete anos no bairro Jaburuna, em Vila Velha. Íamos para a escola de bicicleta, ela ia na garupa”.
O irmão contou que a família mudou para o Bairro de Fátima, na Serra, em dezembro de 1972 e o crime ocorreu em maio de 1973.
“Nada vai trazer a minha irmã de volta. Nada vai reparar isso, nossa família foi destruída. Minha mãe e meu pai eram trabalhadores e minha mãe foi alvo de muitas acusações. A gente não tinha como se defender. Mas acho que a justiça foi feita. Deus tarda, mas não falha”, afirmou Luiz Carlos.
Araceli Cabrera Crespo foi raptada, drogada, estuprada e morta após sair da escola em 1973. O corpo foi deixado desfigurado em uma região de mata, em Vitória, dias depois.
Dantinho e o pai, Dante de Barros Michelini, e Paulo Helal chegaram a ser condenados pelo crime, mas anos depois foram absolvidos pela Justiça.
A jornalista Katilaine Chagas, autora do livro “O caso Araceli: Mistérios, abusos e impunidade”, em parceria com o também jornalista Felipe Quintino, disse que, sem entrar no mérito do julgamento dos três investigados, o caso nunca teve nenhum punido. “Para a família e para a sociedade é uma ferida aberta ainda hoje”, afirmou a autora.
Na Câmara de Vitória, um novo projeto tramita para mudar o nome da Avenida Dante Michelini – uma homenagem ao avô de Dantinho –, principal via da orla de Camburi, na capital, para Avenida Governador Gerson Camata (1941-2018).
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