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Pastor e advogado são condenados por estupros

| 07/02/2020 11:32 h | Atualizado em 07/02/2020, 12:08

Pastor Ernestino Cândido Filho no dia em que foi preso.
Pastor Ernestino Cândido Filho no dia em que foi preso. |  Foto: Fábio Nunes/Arquivo AT 20/01/17
Acusados de cometerem estupros contra menores, o pastor Ernestino Cândido Filho e o advogado Alexandre Cezar Xavier Amaral foram condenados em 1ª instância. Eles estão presos desde 2017 e os casos ocorreram em situações distintas.

O pastor Ernestino, que atuava em uma igreja evangélica no bairro Vale Encantado, em Vila Velha, foi condenado a uma pena de 12 anos e seis meses por violação sexual mediante fraude. Ele é acusado de abusar de uma adolescente que na época tinha 15 anos.

A vítima frequentava a igreja que o pastor comandava e afirmou que foi violentada 10 vezes. Segundo a sentença, dada pelo juiz José Augusto Farias de Souza, da 1ª Vara Criminal de Vila Velha, no dia 31 de janeiro, o réu usava sua influência de pastor para cometer os crimes no gabinete da igreja.

O acusado está preso em regime fechado na Penitenciária Estadual de Vila Velha 5, em Xuri.

O advogado Alexandre Cezar Xavier Amaral escondeu o rosto ao ser conduzido.
O advogado Alexandre Cezar Xavier Amaral escondeu o rosto ao ser conduzido. |  Foto: Rodrigo Gavini/Arquivo AT 11/07/17
Advogado

Já a sentença de condenação do advogado foi proferida pelo juiz Gustavo Grillo Ferreira, da 4ª Vara Criminal da Serra, no dia 5 de novembro do ano passado. Segundo o documento, ele cometeu o crime no dia 7 de janeiro de 2017.

A vítima, que na época tinha 11 anos, relatou para a mãe que encontrou o advogado perto de um parque de diversões, na praia de Jacaraípe. O acusado a chamou e a convidou para ir até a casa dele, que ficava no mesmo bairro.

A garota se recusou, mas o advogado a teria puxado pelo braço e a feito entrar. Em seguida, jogou a criança na cama e a estuprou. No dia seguinte, a vítima contou à mãe o que tinha ocorrido e a mesma procurou o Conselho Tutelar.

Depois, o caso foi registrado na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e o então delegado da unidade, Lorenzo Pazolini, instaurou o inquérito policial.
No Departamento Médico Legal (DML) foi realizado exame, que comprovou o estupro.

O advogado foi preso e levado para o quartel da Polícia Militar, em Maruípe, Vitória. O acusado foi condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado. O juiz negou liberdade provisória a ele e afirmou não ter dúvidas sobre o cometimento do estupro.

“As consequências, por certo, são gravíssimas, em razão dos traumas psicológicos que geraram na ofendida. Em verdade, há outras, inúmeras consequências, que não necessitam vir à tona, mas que certamente estão e estarão implicitamente fixadas na mente da vítima, enquanto viva estiver”, destacou o juiz na sentença.

“Ferida vai sangrar para sempre”

Ainda abalada com os abusos que a filha relatou ter sofrido pelo pastor Ernestino Cândido Filho, quando tinha apenas 15 anos, uma assistente de Recursos Humanos, de 39, conversou com a reportagem de A Tribuna e revelou como a vítima vive hoje em dia. O pastor foi condenado a 12 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado.

A Tribuna – O que a senhora achou da condenação?

Mãe – Achei que a condenação seria maior. Até mesmo pelo fato de ela ser sobrinha de consideração dele. Meu ex-marido é irmão da esposa dele. Mas, como ele também foi condenado por outros estupros, espero que fique um bom tempo preso. Tenho medo que ele saia da cadeia e faça isso com outras meninas. Ele nega até hoje. Ele é frio, calculista e manipulador. Um covarde. Ficamos sabendo há dois dias da condenação. Ela falou: “Agora acabou, mãe”.

Como está a sua filha hoje em dia, depois do que sofreu?
Ela tem 18 anos e faz faculdade de Biomedicina. Está bem. Mas, quando a gente fala sobre o assunto, fica triste e chora. É uma ferida que vai sangrar para sempre.

Como a senhora soube que sua filha tinha sido violentada?
Na época, ela conversou por WhatsApp com amigas, que também tinham sido vítimas dele, e a mãe de uma dessas amigas viu. Ela me contou e eu resolvi procurar o Ministério Público e a polícia.

Como a sua filha ficou após os estupros?
Ela conta que foi abusada pelo menos umas 10 vezes por ele. Logo depois, antes mesmo de eu descobrir, ela parou de ir à igreja. Ele passava em casa, chamava ela e ela dava alguma desculpa. Só depois eu fui entender o motivo disso. Ela já estava fugindo dele.
Minha filha precisou de tratamento psicológico por mais de um ano. Eu também fiz tratamento.

Igreja liderada por religioso era frequentada por vítima

Mesmo negando, em depoimento, que violentou pelo menos cinco adolescentes, o pastor Ernestino Cândido Filho, já sofreu pelo menos quatro condenações por estupro. A última foi proferida no dia 31 de janeiro deste ano. O acusado está preso desde janeiro de 2017.

As vítimas se conheciam e frequentavam a igreja que o pastor comandava, em Vila Velha. Segundo relato das adolescentes, o pastor chegou a pedir que uma tocasse na outra para que ele pudesse ver.

O então delegado da DPCA, Lorenzo Pazolini, que esteve à frente das investigações, destacou que o pastor deveria dar exemplo na sociedade e não cometer crimes.

“Principalmente por se tratar de um líder religioso, deveria dar exemplo para a sociedade. Deveria ser espelho, mas infelizmente praticou crimes gravíssimos. Mas esse comportamento não reflete na conduta da maioria dos líderes religiosos”, disse Pazolini.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado do pastor. Também não foi possível localizar a defesa do advogado Alexandre Cezar Xavier Amaral, condenado por estuprar uma menina de 11 anos, no bairro Jacaraípe, na Serra.

Procurada, a seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), não comentou sobre o caso de Alexandre. Ele foi condenado a 12 anos de reclusão.

Promessa de expulsar o demônios das vítimas

Para conseguir violentar as fiéis que frequentavam a igreja que ele comandava, em Vila Velha, Ernestino Cândido Filho, o Pastor Lê, prometia que ia expulsar o demônio do corpo das vítimas. Ele foi condenado na última sexta, pelo crime cometido contra uma menina que, na época, tinha 15 anos.

Pelo menos outras quatro adolescentes denunciaram o acusado. Uma delas, que hoje é universitária, relatou em depoimento que o pastor a chamava para ir ao gabinete da igreja e, lá, pedia que ela tirasse a roupa, pois estaria com o demônio do corpo. Ele prometia um processo de libertação.

Ainda de acordo com a jovem, que na ocasião era adolescente, o pastor usava óleo para ungir o corpo nu dela, passando a mão em suas partes íntimas. Nesse momento, ele cometia o abuso sexual. A vítima revelou que o fato se repetiu por 10 vezes.

Em sua sentença, o juiz José Augusto Farias de Souza afirmou que o pastor enganava a vítima para que pudesse cometer os atos.

“No caso em tela, restou evidente, como acima exposto, que o réu, como pastor, utiliza-se de sua influência sobre a vítima, e com engodo dizendo que estava ela com demônio no corpo, tirava ela de seu estado normal, para então praticar com ela atos libidinosos. Claro restou que a vítima era enganada pelo réu”, observou o juiz.

As outras vítimas do pastor relataram que ele também agia prometendo libertação. Os crimes ocorriam dentro da igreja. “Ele agia sempre da mesma forma”, disse a mãe de uma das vítimas.

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