Operação mira grupo que usava identidade de advogados para prática de estelionato
Suspeitos se passavam por advogados ou funcionários de escritórios de advocacia; contatos eram realizados principalmente pelo WhatsApp
Um grupo suspeito de praticar estelionatos e outros crimes contra o patrimônio, utilizando indevidamente a identidade de advogados inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), foi alvo da Operação "Bacharéis do Crime", deflagrada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) na manhã desta sexta-feira (11).
De acordo com o órgão, os suspeitos criavam perfis falsos e utilizavam nomes, fotografias e imagens de escritórios de advocacia para fazer com que as abordagens parecessem verdadeiras. Os contatos eram realizados principalmente pelo WhatsApp.
Segundo o MPES, a operação desta sexta resultou na prisão temporária de quatro investigados e no cumprimento de medidas de busca e apreensão.
“Três mandados de prisão foram cumpridos no município da Serra, e o quarto, em uma unidade prisional da Grande Vitória (ou seja, o apenado recebeu novo mandado de prisão). O caso tramita sob sigilo judicial para assegurar as apurações em andamento”, informou o órgão.
As medidas foram autorizadas pela Justiça e as buscas tiveram como objetivo recolher objetos e provas como celulares, computadores, documentos, registros financeiros e outros materiais que possam ajudar a esclarecer os fatos.
Os investigadores também buscam identificar a atuação de cada investigado e descobrir se há outras pessoas envolvidas nos crimes.
Como funcionavam os golpes com perfis falsos
De acordo com a investigação, o grupo criminoso criava perfis falsos e utilizava nomes, fotografias e imagens de escritórios de advocacia para fazer com que as abordagens parecessem verdadeiras.
Os contatos eram realizados principalmente pelo WhatsApp. Nas mensagens, os suspeitos se passavam por advogados ou funcionários de escritórios.
As vítimas recebiam informações falsas de que haviam vencido uma ação judicial ou de que tinham valores disponíveis para receber.
Em seguida, os suspeitos solicitavam o pagamento de supostas taxas, custas processuais ou despesas administrativas, geralmente por meio de transferências via Pix.
Para pressionar as vítimas, o grupo criava um falso senso de urgência, fazendo com que acreditassem que precisavam realizar os pagamentos imediatamente.
As investigações também apontaram que os investigados mantinham vínculos familiares e afetivos e compartilhavam linhas telefônicas e contas bancárias usadas nos golpes.
Ao longo da investigação, foram identificadas 42 linhas telefônicas, 13 endereços de e-mail e diversas chaves Pix relacionadas aos suspeitos.
Criminosos solicitaram doações para suposta doença
Em outro caso investigado, os suspeitos criaram um perfil falso em nome de um advogado.
Nesse perfil, também foi utilizada, sem autorização, a fotografia do filho do profissional.
Os responsáveis divulgaram a informação falsa de que a criança estaria com leucemia e solicitaram doações para um suposto tratamento médico.
Porém, o advogado confirmou ao MPES que seu filho nunca teve a doença.
O MPES ressaltou que os advogados mencionados na investigação são vítimas das fraudes, assim como seus clientes.
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