Jovem é preso suspeito de agredir companheira e mantê-la em cárcere privado
Suspeito, 19 anos, é acusado de empurrar a companheira, 18 anos, da escada e trancá-la em apartamento no bairro Recanto da Sereia
Um jovem, 19 anos, foi preso, no bairro Recanto da Sereia, em Guarapari, em uma nova fase da Operação Nacional Mulher Segura, que teve início na segunda-feira (1º). A prisão aconteceu após uma denúncia apontar que o suspeito agrediu a companheira, 18 anos, e a manteve em cárcere privado.
De acordo com titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarapari, delegada Francini Moreschi, o apartamento onde a vítima estava sendo mantida em cárcere possui janelas voltadas para o corredor externo da residência, que estavam todas fechadas quando a equipe policial chegou no local.
A delegada afirmou que a vítima foi chamada pelo nome, contudo, só abriu a porta quando foi sinalizado que haveria arrombamento. No local estavam a jovem, que apresentava um inchaço no olho direito, indicando as agressões sofridas, e o companheiro dela, que havia faltado no trabalho para impedir que a mulher fugisse.
"Demos voz de prisão ao agressor, a vítima se apresentava muito amedrontada, a primeira coisa que ela falou foi: 'quem chamou vocês aqui?', para mostrar para ele que ela não teria solicitado ajuda. E aí a gente falou 'calma, a gente só está aqui para te ajudar'", expôs Moreschi.
Motivação
Em conversa com a polícia, a jovem afirmou que, no dia anterior, ela e o suspeito estavam na casa de uma tia dele e que, no caminho de volta para casa, eles iniciaram uma discussão por conta de um maço de cigarro que o homem acusou-a de ter comprado errado. Em determinado momento, ele teria tomado o filho de 8 meses dos braços dela e colocado o bebê no chão.
"Quando ela pede a criança para pegar essa criança de volta, ele diz 'você não colocou no mundo sozinha' e aí ela falou 'a criança não está no seu nome, só está no meu nome' e aí ele pegou e colocou a criança no chão, ela falou 'meu filho não é cachorro para você colocar no chão'. Ela pegou essa criança de volta e falou 'não quero que você entre em casa' e ele foi andando na frente e ela foi andando atrás", contou a delegada.
Ao chegar em casa, após a mulher tentar impedir a entrada do homem na casa, ele se irritou e a empurrou da escada junto com o bebê. O suspeito manteve a companheira trancada em casa por receio que ela denunciasse as agressões cometidas por ele.
Segunda prisão
Além da prisão do suspeito em Guarapari, ainda na segunda fase da operação, foi preso um outro homem, em Vitória, que estava com sentença condenatória por crime de lesão corporal, qualificado pela violência doméstica familiar.
"São duas prisões e isso é só o início de um mês e com o recado muito claro que a Polícia Civil deixa aqui para os homens que insistirem em praticar qualquer tipo de violência contra a mulher. Eles não vão passar impunes, porque nós estamos trabalhando aqui diariamente com muito afinco para que esses homens sejam devidamente investigados, responsabilizados e punidos", destacou Dematté.
Operação Nacional Mulher Segura
A Operação Nacional Mulher Segura, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), tem como objetivo fortalecer o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, por meio de ações integradas coordenadas no Estado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), com o apoio da Gerência de Operações Integradas (GOI) e atuação conjunta das Polícias Civil e Militar.
Dentre as ações estão o cumprimento de mandados de prisão e busca e apreensão, bem como verificação das denúncias realizadas nos canais oficiais. Além disso, a operação realiza ações itinerantes, com a Delegacia Móvel, que vai até municípios do Espírito Santo para dialogar com crianças e adolescentes, numa perspectiva de prevenção, em uma tentativa de evitar que meninas não sejam futuras vítimas e meninos futuros autores.
"Nós precisamos trabalhar nessa perspectiva de prevenção, para evitar que esses crimes ocorram, para que essas crianças e adolescentes que a gente conversa nas escolas, elas não sejam também vitimadas. Então a gente precisa muito dessas perspectivas desse trabalho", disse a chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam), delegada Claudia Dematté.
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