"O Guilherme faz falta, ele era alegria", diz pai de músico morto por ex-PM no ES
Glício da Cruz Soares afirmou esperar que o julgamento encerre o caso, para que a família tenha a paz e a alegria deixada pelo filho
O pai do músico Guilherme Rocha, o médico legista aposentado Glício da Cruz Soares, conversou com a reportagem de A Tribuna no Fórum Criminal de Vitória antes do fim do júri que condenou o réu, o ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira, a 32 anos de prisão. Ele afirmou esperar que o julgamento encerre o caso, para que a família tenha a paz e a alegria deixada pelo filho.
A Tribuna – O que representa este julgamento para o senhor, após três anos do crime?
Glício da Cruz Soares – Estou esperando que tudo saia bem para enterrar esse processo, mas a expectativa da demora é muito desagradável. A justiça no Brasil é muito lenta. Então, a gente quer que pelo menos o processo chegue ao fim.
Não me importa — eu tenho dito sempre isso — qual vai ser o final, qual vai ser a decisão, qual vai ser a pena, ou se ele não vai ser penalizado; importa que termine esse processo para a gente ter paz.
Como têm sido esses anos de espera para o senhor?
A gente quer ter paz, ter tranquilidade, ter alegria na nossa casa, porque o Guilherme faz falta, ele era a própria alegria. Então, nós precisamos recuperar essa alegria, mesmo com a ausência dele fisicamente, mas com a presença espiritual. Eu sou uma pessoa que creio em Deus, sou cristão, tenho uma religião e uma fé inabalável. Então, eu estou tranquilo. Só estou realmente preocupado para que isso se encerre, porque nos incomoda.
O senhor ainda espera por uma condenação do réu?
Não espero nada. Nesse Brasil que a gente vive, eu não espero nada. Em especial da justiça que a gente vive hoje, em que as leis são mudadas, e são muitos recursos, muitas interpretações jurídicas. Então, a gente espera que tenham bom senso e encerrem o caso.
Ex-policial militar foi condenado
Lucas Torrezani de Oliveira foi condenado a 32 anos de reclusão pelo assassinato do músico Guilherme José Rocha Soares, de 36 anos, durante uma discussão por causa de som alto em um condomínio em Jardim Camburi, Vitória.
A sentença foi lida por volta das 23h30 dessa quarta-feira (20) e Lucas foi condenado a 30 anos por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima e a 2 anos por abuso de autoridade.
Lucas também terá de pagar uma indenização de R$ 500 mil aos familiares da vítima. Ele foi demitido da Polícia Militar em 2024.
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