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Mortes por bala perdida: O que está por trás da guerra do tráfico?

A guerra do tráfico de drogas continua deixando medo, pânico e muita dor em famílias que perdem seus entes queridos

Eliane Proscholdt e Kananda Natielly, do jornal A Tribuna | 22/02/2022 16:32 h

Praça do Ibes, em Vila Velha, onde universitária foi morta por bala perdida
Praça do Ibes, em Vila Velha, onde universitária foi morta por bala perdida |  Foto: Antonio Moreira - 20/02/2022
 

A constante guerra do tráfico de drogas na Grande Vitória continua deixando medo, pânico e muita dor em famílias que perdem seus entes queridos. Em Vila Velha não é diferente: por lá, moradores de bairros como Ibes, Santa Mônica e Grande Terra Vermelha já não suportam mais tanta violência.

Mas, afinal, o que está por trás dessa guerra que tem deixado tantas famílias de luto?

De acordo com policiais militares e investigadores da Polícia Civil, que atuam em bairros dominados pelo tráfico do município, os constantes tiroteios registrados são promovidos por gangues rivais que desejam obter, cada vez mais, um número maior de pontos de vendas de entorpecentes.

É o que está acontecendo com o bairro Ibes e Santa Mônica, onde, no último sábado (19), a universitária Júlia Glaucia Ribeiro Pereira, 31 anos, foi morta ao ser atingida por uma bala perdida.

À polícia, testemunhas disseram que dois rapazes em uma moto passaram atirando na praça central do bairro, onde Júlia estava sentada, tomando cerveja e conversando com um amigo.

Câmeras, instaladas por moradores do bairro, registraram o momento do tiroteio. As mesmas câmeras também registraram um outro tiroteio no bairro, na última quarta-feira (16). Uma cachorrinha, que estava no colo de um homem, foi atingida e morreu.

“Está muito difícil viver ali. O bairro está quase dominado pelos traficantes. Até alugar quitinete para servir de estoque de drogas, eles estão alugando”, disse uma dona de casa de 38 anos, que não quis se identificar.

Além dos tiroteios, um outro problema que está incomodando os moradores do Ibes são os casos de invasão a casas e roubos em via pública.

“São bandidos de fora que estão vindo e invadindo as casas. Acontece sempre pela madrugada e eles levam tudo que encontram pela frente”, revelou uma outra moradora de 28 anos, que também não quis se identificar.

O líder comunitário do bairro, Thiago Teixeira, acredita que, se houvesse um trabalho mais intenso por parte das polícias militar e civil, o problema seria amenizado.

“Naquela praça, por exemplo, se tivesse uma base da PM, talvez resolveria. Nós já estamos cansados de tanta insegurança. Precisamos do apoio do secretário de Segurança”, disse.

“Vamos responder à altura”

Citando que Vila Velha tem se destacado entre os outros municípios da Grande Vitória em quantidade de assassinatos, o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, mandou um recado: “Vamos responder à altura esses atos de terrorismo, essas atitudes covardes”.

No ano passado, em Vila Velha, foram 37 assassinatos. Neste ano, até agora, já são 13.

Ramalho garantiu que, desde segunda-feira (21), o policiamento, com o apoio da Guarda Municipal, foi intensificado no Ibes e Santa Mônica, assim como já aconteceu na região da Grande Santa Rita e Grande Terra Vermelha.

Alexandre Ramalho: “Atos de terrorismo, são atitudes covardes”
Alexandre Ramalho: “Atos de terrorismo, são atitudes covardes” |  Foto: Fábio Nunes - 17/09/2021
 

A guerra do tráfico entre Santa Mônica e Ibes tem ocorrido de forma “muito covarde e agressiva”, classificou o secretário.

“Via de regra, o tráfico vai com um alvo específico: um indivíduo que pertence a outra organização criminosa. Mas as cenas que temos visto nos últimos dias são de pessoas entrando na comunidade, na garupa de uma moto, e atirando  para qualquer direção”.

“Com isso, a comunidade paga um preço alto. Pessoas inocentes estão tendo as suas vidas ceifadas nas mãos de jovens inescrupulosos, irresponsáveis, extremamente violentos, sem formação moral, sem formação familiar, que não se apegam pela vida, não têm compaixão pelos outros”, afirmou o secretário.

Além de reforçar o policiamento, Ramalho voltou a defender uma legislação que possa frear a criminalidade, que intimide a ação de bandidos.

“A gente prende várias vezes, mas percebe que muitos não ficam presos porque a legislação não alcança. Infelizmente, o indivíduo entra no presídio sabendo o dia que vai sair, se é que vai entrar no presídio”, lamentou.

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