"Mereceu tomar uns tiros mesmo", diz jogador do Vasco durante troca de mensagens
Polícia Civil divulgou detalhes sobre mensagens encontradas no celular de um traficante da Serra, que agenciava o jogador investigado
Novos detalhes da Operação "A Tropa" divulgados pela Polícia Civil nesta quinta-feira (3) revelam que o atacante capixaba David Corrêa, conhecido como DVD, que atua no Vasco da Gama, trocava mensagens com traficantes da Serra. Um deles, identificado como Édson Vander da Silva Júnior, 32 anos, agenciava o jogador.
A Operação "A Tropa", que foi deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo na manhã da última segunda-feira (31), investiga o possível envolvimento de atletas profissionais e empresários com um grupo criminoso suspeito de praticar tráfico interestadual de drogas e armas e lavagem de dinheiro. Além de David, outro jogador de futebol capixaba, o Hayner, do Vila Nova-GO, foi alvo da operação.
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O delegado Rodrigo Sandi Mori explicou que as investigações começaram após a prisão de Édson Júnior, suspeito de envolvimento em um homicídio ocorrido no dia 6 de março de 2024, devido a disputa de tráfico na região entre os bairros Serra Dourada II e III, na Serra.
Um outro crime, ocorrido no dia 15 de março, também foi investigado. Uma tentativa de homicídio na qual a vítima foi sequestrada no bairro Serra Dourada III e levada até o bairro Porto Canoa. A vítima teria conseguido sair do veículo em dado momento e correu, mas os suspeitos efetuaram disparos em direção a ela, que foi atingida e caiu, mas sobrevieu à ação.
Após investigações, a polícia prendeu Edson Júnior como envolvido nos dois crimes. Na época, ele era agente do jogador capixaba David Corrêa. De acordo com o delegado, Edson seria responsável por administrar a vida financeira e a carreira do jogador. Edson inclusive foi preso em um apartamento em Itaparica, no município de Vila Velha, que pertence ao jogador investigado.
Mensagens divulgadas
Após a prisão, durante análises do celular de Édson, foram encontradas conversas dele com o jogador. "Em uma das mensagens, o Júnior dá satisfação para o investigado sobre a motivação do crime e sobre o estado da vítima no hospital. Eis que o investigado, em um dos diálogos diz: 'Ele mereceu tomar uns tiros mesmo.'", detalhou o delegado.
"Em outro diálogo entre o Júnior e o investigado, o Júnior manda uma foto de uma pistola para o investigado. Eis que ele responde: 'Tem que deitar um para ver de qual é, da referida arma de fogo'", completou Rodrigo Sandi Mori.
O delegado ainda citou um terceiro ponto que chamou a atenção da polícia durante as investigações. "Um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III por parte do investigado", explicou Sandi Mori.
"Ficou comprovado na análise do aparelho celular e na investigação que o Júnior assumiu o controle do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III após a morte de Leleto. Além dele ser o agente do investigado, também controlava o tráfico de drogas do bairro do crime até sua prisão que ocorreu em agosto de 2024", explicou ainda.
O inquérito que investiga os jogadores Hayner e David Corrêa ainda não foi concluído. Eles foram alvos de mandados de busca e apreensão, mas não foram presos. Já o traficante Édson Vander da Silva Júnior segue preso.
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