Mais de 60 mil adolescentes são vítimas de violência na internet
Projeção baseada em dados do IBGE e do Unicef aponta a dimensão do assédio em redes sociais e jogos on-line no Espírito Santo
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Mais de 60 mil adolescentes foram vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados pela internet no Espírito Santo.
Segundo as Projeções de População do IBGE 2026, o Espírito Santo tem 329.711 adolescentes entre 12 e 17 anos. Desse total, 92% usam a internet, conforme revelou a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025.
Considerando que 20% dos adolescentes brasileiros que usam a internet relataram ter sido vítimas de exploração ou abuso sexual facilitados por tecnologia, segundo o relatório do Unicef, esse percentual representa 60.666 adolescentes capixabas.
O especialista em segurança pública e privada Emir Pinho observa que a maioria dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes é cometida por alguém que a vítima conhece, um fato que exige atenção às relações cotidianas e aos sinais sutis de manipulação.
“Ao mesmo tempo, o avanço das redes e dos jogos on-line abriu um novo campo de ação para predadores que, sem contato físico, conseguem isolar, manipular e aliciar múltiplas vítimas. É necessário conhecermos e explicarmos os perfis, do familiar ao virtual, e oferecer orientações práticas para reconhecimento, denúncia e prevenção”, afirma o especialista.
O titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), delegado Marcelo Cavalcanti, destaca que pais e responsáveis precisam monitorar o que crianças e adolescentes fazem na internet.
“É preciso saber com quem eles estão conversando, o que estão acessando e bloquear chats em jogos on-line, porque os criminosos usam a internet para enganar as crianças e os adolescentes. Eles se passam por pessoas da mesma idade para se aproximar dessas vítimas e cometer os abusos, exigindo fotos, vídeos e fazendo ameaças”, alertou o delegado.
O advogado criminalista e professor de Direito Penal Rivelino Amaral ressalta que as penas dos crimes cometidos no mundo virtual são aumentadas por conta do alcance, que é incalculável.
“É um erro achar que a internet é uma terra sem lei. A internet tem lei, e as pessoas que cometem crimes no meio digital são facilmente identificadas. Tanto é que existem inclusive delegacias especializadas em crimes virtuais que têm expertise para localizar esses criminosos em tempo recorde”.
Saiba Mais
Perfis dos abusadores
Próximos: familiares como pai, tio, professor ou amigo da família.
Desconhecido: abordagem pública (raro e perigoso)
Digital: groomer, jovem predador ou rede organizada.
Novo cenário
O que mudou: a tecnologia não criou a violência, mas ampliou o alcance, a escala e a sofisticação dos predadores.
Plataformas aparentemente “infantis”, como jogos on-line, redes sociais e aplicativos de mensagens, passaram a ser locais de aliciamento, troca de material ilícito e sextorsão. Estudos e operações internacionais apontam crescimento expressivo de crimes de comunicação sexual com menores.
Onde é o novo ambiente de “caça às vítimas”?
Jogos online - Exemplo: Roblox, Free Fire, Fortnite
Redes sociais - Instagram, TikTok
Aplicativos de mensagens
Plataformas de streaming
Chats privados dentro de games
Perfis predominantes no ambiente digital
O groomer tecnológico: é um predador paciente, cria perfis falsos, finge ser jovem, estabelece vínculo emocional ao longo de semanas/meses; objetivo: obter imagens, encontros ou submissão.
O jovem predador digital: homens mais jovens (de 18 a 30 anos) familiarizados com linguagens e dinâmicas de jogos; podem minimizar a gravidade e escalonar a violência para “sextorsão”.
O abusador organizado/serial: redes, fóruns e grupos que compartilham material e orientações; usam VPNs, criptografia e técnicas para dificultar a investigação. Casos exemplares: plataformas de jogos, incluindo debates recentes sobre a segurança em Roblox, que já têm sido foco de reportagens sobre grooming e manipulação via chat e ambientes virtuais.
Sinais de alerta
Segredo ou medo de falar com familiares.
Conversas privadas noturnas e mudança de rotina.
Isolamento e afastamento de amigos e da rotina escolar.
Troca de fotos íntimas ou pedidos para “segurar” segredo.
O que fazer
Preserve provas (prints e arquivos)
Denuncie: em qualquer delegacia, na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) pelo telefone (27) 3132-1917, Disque 100, Disque-Denúncia 181.
Procure atendimento psicológico especializado.
Não exponha a vítima em redes sociais.
Prevenção
Supervisione contas e jogos; configure controles parentais.
Fale abertamente sobre limites e privacidade.
Ensine como bloquear e denunciar contatos suspeitos.
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