Policiais acusados de jogar adolescente da Segunda Ponte vão a júri popular
Crime ocorreu em outubro de 2025, entre Vitória e Cariacica; julgamento ainda não foi marcado
Siga o Tribuna Online no Google
Os três policiais militares acusados de jogar o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, da Segunda Ponte irão a júri popular. A decisão foi tomada pela juíza da 4ª Vara Criminal de Vitória, que acatou pedido do Ministério Público do Espírito Santo. A data da audiência ainda não foi definida.
Segundo informações da repórter Suzy Faria, da TV Tribuna/Band, serão julgados o cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermayer Silva e Leonardo Gonçalves Machado. O caso ocorreu no dia 14 de outubro de 2025.
De acordo com a mãe do adolescente, os policiais teriam jogado Kaylan da Segunda Ponte no momento em que ele era transportado de Vitória para Cariacica, onde morava.
Imagens de videomonitoramento da Prefeitura de Vitória registraram o momento em que a viatura parou sobre a ponte. Em seguida, é possível ver um vulto, que seria o adolescente, caindo no mar.
Já a versão apresentada pelos policiais é de que, ao parar na ponte, o jovem teria aberto a porta da viatura e se jogado.
De acordo com a apuração da repórter da TV Tribuna/Band, essa divergência de versões será analisada pelo júri popular, que decidirá pela condenação ou absolvição dos acusados.
Relembre o caso
Na ocasião, Kaylan foi levado ao Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), por envolvimento em um assalto ocorrido em 2023.
O delegado responsável pelo caso entendeu que o adolescente não deveria ficar preso, e pediu que os militares levassem Kaylan para casa. Durante o trajeto, o crime foi cometido.
Leicester Ladário, mãe de Kaylan, disse que os policiais subiram na Segunda Ponte e, na altura da placa de Vitória/Guarapari, pararam o carro. "Eles abrem a porta, meu filho sai, eles arremessam a sacola, que era do menino que ficou detido. Aí ele chega próximo do peitoril e eles pegam o pé dele e jogam ele", afirmou.
"Eles veem ele se debatendo, porque ele não sabia nadar, e simplesmente entram dentro do carro e saem", contou ainda a mãe.
O corpo de Kaylan foi encontrado por um pescador, no dia seguinte. Leicester chegou a ir até a delegacia duas vezes, contando que o filho não havia chegado em casa. Lá, recebeu a informação de que os policiais haviam sido orientados a levar Kaylan.
Kaylan teria participado de uma tentativa de assalto em 2023. Na ocasião ele estava com um grupo suspeito do fato. Houve perseguição e troca de tiros contra a polícia e um policial chegou a ser atingido, fato que configurou maior pena a todos que estavam no veículo.
Na época, ele ficou detido por 10 dias e depois foi sentenciado que ficaria detido por 3 anos, mas a detenção nunca aconteceu.
A mãe contou que eles chegaram a se apresentar na delegacia em outras ocasiões, mas o adolescente não ficou detido.
"Eu morri um pouco quando eu achei o corpo dele. Eu sabia que ele não tinha se jogado, de forma alguma ele teria tirado a própria vida. Quando eu vi o vídeo eu terminei de morrer", disse Leicester emocionada.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários