Laboratório de inteligência no Espírito Santo vai combater crimes na internet
Ferramenta criada no Estado vai ficar de olho em fraudes digitais, ataques hackers, ameaças a escolas, entre outros crimes
Fraudes digitais, ameaças a escolas, pornografia infantil, ataques hackers, lavagem de dinheiro com criptoativos e até a atuação de facções criminosas no ambiente virtual.
Esses são alguns dos crimes que passaram a ser monitorados de forma permanente pelo Laboratório de Inteligência Cibernética (Ciberlab), da Secretaria da Segurança Pública do Espírito Santo, voltado exclusivamente ao enfrentamento da criminalidade na internet.
A unidade atua no mapeamento, rastreamento e análise de informações que circulam tanto na internet convencional quanto em ambientes mais ocultos, como a deep web e a dark web.
Além do monitoramento contínuo, o Ciberlab também responde a incidentes cibernéticos que atingem infraestruturas críticas do Estado, como invasões e tentativas de ataques a sistemas públicos, como explicou o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), Leonardo Damasceno.
Para isso, utiliza ferramentas tecnológicas especializadas, bancos de dados próprios e acordos de cooperação com órgãos governamentais, grandes plataformas digitais e instituições nacionais e internacionais.
Outro eixo de atuação é o apoio às investigações da Polícia Civil, por meio da elaboração de relatórios técnicos que auxiliam na identificação de suspeitos, no desmonte de organizações criminosas e no rastreamento de crimes digitais.
Leandro Barbosa Morais, gerente de Operações Técnicas da Sesp, destacou que o objetivo do Ciberlab é atuar de forma preventiva e estratégica, interrompendo a atuação criminosa antes que os danos se ampliem.
“Não se trata apenas de investigar depois que o crime acontece, mas de entender o modus operandi, identificar padrões e apoiar as forças de segurança com inteligência qualificada”, salientou.
Segundo ele, as informações produzidas são transformadas em relatórios técnicos e encaminhadas às unidades responsáveis pelas investigações, principalmente à Polícia Civil. “Se o crime migrou para o ambiente digital, a resposta do Estado também precisa estar nesse território”.
Tecnologia ajudou a capturar 45 foragidos
O uso da inteligência cibernética já apresenta resultados. Em sua primeira atuação, o Ciberlab auxiliou na localização e captura de 45 foragidos da Justiça.
Entre os presos, há condenados por estupro de vulnerável, homicídio, tráfico de drogas, crimes patrimoniais e violência doméstica. Três deles foram autuados em flagrante por posse ilegal de arma de fogo no momento da prisão.
“O trabalho de levantamento dos foragidos ocorreu nas três primeiras semanas de dezembro. Isso foi possível por meio de análise de vestígios digitais deixados pelos foragidos”, revelou Leandro Barbosa Morais, gerente de Operações Técnicas da Sesp.
Quem tiver informações pode acionar o Disque-Denúncia 181, com garantia de anonimato. Além disso, a orientação é que vítimas de crimes cibernéticos sempre registrem boletim de ocorrência.
SAIBA MAIS
Como vai atuar na prática
> O novo Ciberlab terá atuação direta em crimes cometidos no ambiente digital, com foco em antecipação, rastreamento e apoio às investigações. Entre os principais exemplos estão:
Pedofilia e pornografia infantil
> Monitoramento de grupos, fóruns e plataformas usados para compartilhamento de material ilegal, com identificação de autores e apoio às investigações.
Foragidos da Justiça
> Rastreamento de vestígios digitais deixados por condenados escondidos no Estado ou em outras regiões do país, auxiliando na localização e prisão.
Lavagem de dinheiro
> Análise do uso de criptoativos e outros ativos digitais para ocultação de recursos provenientes de crimes.
Ciberbullying e crimes de ódio
> Identificação de comunidades e perfis usados para ataques virtuais, ameaças e disseminação de violência.
Ameaças digitais
> Monitoramento de riscos a pessoas, instituições públicas, escolas e eventos.
Fraudes digitais
> Investigação de esquemas estruturados de golpes on-line, incluindo organizações criminosas que atuam em larga escala.
Ataques a escolas
> Identificação precoce de ameaças em redes sociais, fóruns e grupos fechados.
Análise de sistemas e hackers
> Resposta a invasões, ataques a infraestruturas críticas e identificação de vulnerabilidades em sistemas públicos.
Outras atribuições
> Monitorar a internet, deep web (internet profunda) e dark web (funciona de forma anônima) para identificar atividades criminosas e ameaças emergentes, coletando e analisando provas digitais.
> Atuar em cooperação com provedores de internet, plataformas digitais e empresas que administram criptoativos para preservação de provas e comunicação de atividades suspeitas.
> Monitorar ameaças cibernéticas a infraestruturas críticas.
> Realizar análises contínuas de risco e vulnerabilidades.
> Produzir inteligência estratégica para formulação de políticas públicas.
> Incentivar o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para detecção de ameaças.
Fonte: Sesp.
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