Governo de PE exonera Leonardo Dias após operação por desvios na Alepe
Seu pai, o ex-deputado Romário Dias, também foi alvo da investigação
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O Governo de Pernambuco oficializou, na edição do Diário Oficial desta quinta-feira (16), a exoneração de Leonardo Machado Dias Pereira. Ele ocupava o cargo de Secretário Executivo de Micro e Pequena Empresa e Fomento ao Empreendedorismo desde março de 2025.
A medida ocorre um dia após o ex-deputado ser apontado como alvo da Operação Draft, que investiga um esquema de "rachadinha" na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). eLE dava suporte ao pai, o ex-deputado Romário Dias, também foi alvo da investigação. Os dois são suspeitos de prática ilegal de rachadinha que envolveu desvios milionários dos cofres públicos.
EXONERADO NO MESMO DIA
A saída de Leonardo Dias teve efeito retroativo ao dia 15 de abril, data em que a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão. Além dele, Carlos Tavares Bernardo, que atuava como Gestor de Articulação e Implementação na mesma secretaria, também foi exonerado. Para as vagas, foram nomeados Sandoval da Silva Figueiredo e Rebeka Alves Feitosa dos Santos Rios, respectivamente.
Importante destacar que, apesar da dimensão do caso, o nome de ambos não foi revelado à imprensa ontem, no dia da coletiva.
O esquema nos gabinetes
A investigação da Polícia Civil detalha a existência de um "gabinete do crime" que operou entre 2015 e 2019. O foco central recai especialmente sobre o período de mandato do ex-deputado Romário Dias (2014 a 2022), pai de Leonardo. Leonardo se elegeu para uma vaga na Alepe pelo PSB em 2010. Já Romário, que já tinha sido presidente da Casa e foi conselheiro do Tribunal de Contas e do Estado, voltou a ser deputado estadual. Passou por vários partidos como PFL, DEM, PSB, PSD e PL.
De acordo com o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Dracco), mais de 30 assessores participavam da estrutura.
Os funcionários recebiam salários nominais expressivos, entre R$ 6 mil e R$ 18 mil. No entanto, eram obrigados a devolver quase a totalidade dos valores, retendo apenas R$ 300 mensais para uso pessoal. O montante desviado dos cofres públicos é estimado em R$ 2,8 milhões, mas a movimentação total pode chegar a R$ 6 milhões se confirmado que o esquema perdurou até 2024.
Origem e apreensões
As provas que fundamentaram a Operação Draft surgiram a partir de um desmembramento de investigações do Ministério Público Federal (MPF) sobre irregularidades em obras da BR-101. Durante as buscas realizadas nesta última quarta-feira, os agentes encontraram dinheiro estrangeiro em espécie e barras de prata em endereços ligados aos suspeitos, um deles em Boa Viagem, com porta blindada. Era de Leonardo, que estava dentro do imóvel e passou mais de uma hora para atender ao comando da polícia.
Apesar da magnitude da operação e da gravidade das acusações de peculato, concussão e lavagem de dinheiro, a autoridade policial não confirmou, no dia da coletiva, a realização de prisões durante as diligências de ontem. O Tribuna Online PE não localizou a defesa dos investigados. O espaço segue aberto para a defesa dos citados..
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