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Ginecologista é indiciado sob suspeita de estuprar pacientes

Abuso sexual teria ocorrido em uma unidade de saúde

Marcel Rizzo, da Agência Folhapress | 15/07/2022 21:52 h

Um médico suspeito de abusar sexualmente de pacientes em uma unidade básica de saúde na cidade cearense de Hidrolândia, a 250 km de Fortaleza, foi indiciado por estupro após a Polícia Civil finalizar o inquérito e enviar o caso à Justiça.

O ginecologista Ricardo Teles Martins, 45, está preso preventivamente desde o dia 7 de julho.

Em nota, Jorge Mota, advogado do médico, disse que o processo tramita em segredo de justiça e que, "por dever de ética, eu só posso me manifestar nos autos".

"Mas acreditamos na sua inocência e estamos trabalhando para provar a sua inocência e o faremos respeitando o sigilo que me obriga a manifestar-se em juízo", encerra o comunicado.

A prisão ocorreu no dia 7 deste mês, no bairro José Bonifácio, em Fortaleza. Segundo a polícia, no depoimento que prestou em 6 de maio, logo após as acusações serem feitas, Martins negou ter cometido qualquer abuso nas consultas.

A técnica de edificações Carla Carvalho de Sousa, 18, foi a primeira a acusar o médico, em 3 de maio. Em uma postagem em rede social, ela contou ter ido à UBS Cosma Maurício da Silva, no distrito de Conceição em Hidrolândia, porque estava com dores nos seios por causa de uma mastite, que é a inflamação nas glândulas mamárias –Sousa tinha dado à luz sua filha dois meses antes.

"Quando entrei no consultório médico, dei de cara com o doutor que fez meu parto, me senti até mais segura por estar com um profissional que já havia conhecido e me consultado. O mesmo disse que teria que espremer o meu seio para que saísse tudo que estava na parte pedrada", contou.

Na sequência, segundo a mulher, ele começou a se encostar e chegar mais próximo. Ele tentou me agarrar, me beijar e fazer perguntas eróticas e fora do comum, como "você já teve relação sexual depois que teve sua filha?", "qual o gosto do seu leite, posso chupar seus seios?", relatou ela, que, ao sair da consulta, disse ter ouvido do médico que não era "para deixá-lo daquela forma [excitado]".

Após a divulgação do relato, outras 17 mulheres entraram em contato com ela para contar que sofreram abusos semelhantes do mesmo médico. No dia 4 de maio, Sousa e outras duas, a bombeira Franciele Martins, 24, e Maria Liduína Nunes, foram até a delegacia de Santa Quitéria, cidade próxima a Hidrolândia, e registraram os boletins de ocorrência.

"Tive muito medo de denunciar, dos julgamentos, até porque é a palavra de um médico contra a minha", disse Sousa à reportagem. Ela contou que amigos próximos, sua mãe e até funcionários da UBS a incentivaram a tornar público o assunto e que uma amiga contou que ele havia sido preso. "Sensação de alívio e de que a justiça foi feita", disse.

Ela estuda ciências contábeis em uma faculdade em Ipueiras, cidade vizinha a Hidrolândia, e disse estar com dificuldade para se comunicar após o abuso. "Não estou querendo ficar sozinha, tenho me comunicado pouco", disse.

Durante as investigações, outras três mulheres procuraram a polícia para denunciar Martins. O inquérito aponta que ele aproveitava momentos de exames e consultas para tocar nas partes íntimas das vítimas, encostava as suas partes íntimas nas mulheres e fazia perguntas com teor sexual.

A Prefeitura de Hidrolândia afastou o médico no dia seguinte à da denúncia feita por Carla Carvalho de Sousa –além da UBS Cosma Maurício da Silva, ele atuava no Hospital Municipal da cidade e em uma clínica particular. Em nota, a prefeitura diz que "repudia qualquer ato de assédio ou importunação sexual".

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