Funcionária de condomínio é agredida e diz que foi chamada de "macaca" por morador
Uma auxiliar de serviços gerais passou por momentos constrangedores no condomínio onde trabalha em Itapuã, Vila Velha. Ela foi agredida, inclusive com socos, e afirma que foi chamada de "macaca" por um morador de 60 anos.
Em entrevista exclusiva para a TV Tribuna, Rosângela de Souza Paixão contou o que aconteceu no dia 1º de março deste ano, quando foi agredida.
"No dia 1º de março, esse morador estava um pouco perturbado e, antes dele me agredir fisicamente, ele já tinha passado pela portaria, neste mesmo dia, e me chamado de macaca. Até hoje não sei o motivo disso. Eu nunca mexi com ele, nunca entrei no apartamento dele. Nunca fiz nada com ele. Antes disso acontecer, há um ano, alguns moradores já chegaram a comentar comigo e minha colega do trabalho para termos cuidado com ele, pois ele sempre estava na área de lazer, na piscina do prédio e falava várias coisas lá. Então os moradores falaram pra gente que a qualquer dia ele poderia surtar e agredir um funcionário", contou Rosângela.
As câmeras de segurança que ficam na portaria do condomínio registraram o momento em que Rosângela foi agredida pelo morador. Ele invadiu a guarita da portaria e desferiu socos em direção a auxiliar de serviços gerais. Outra funcionária, que também estava no local, conseguiu tirar o homem de dentro da guarita. Em seguida, ela leva as mãos ao peito, como quem respirasse aliviada pelo que passaram.
Rosângela diz que pensou que fosse morrer. "Eu achei que fosse morrer ali porque ele não só me deu socos como também me enforcou e, se não fosse a minha colega, eu não estaria aqui agora para dar esse depoimento. Tive muito medo e vergonha de vir a público contar isso, mas agora eu vou em frente. Estou aqui tremendo, mas estou firme e forte", relatou a vítima.
Rosângela registrou a ocorrência na delegacia e move na Justiça uma ação contra o agressor. O advogado Lukas Pedruzzi, que defende a auxiliar, explicou que a empresa que administra o condomínio deu todo o suporte necessário para a funcionária. "A gente buscou ir contra o agressor, que foi quem motivou a situação. Por isso, foram tomadas todas as medidas judiciais cabíveis contra o agressor", disse o advogado.
Inconformada com a agressão, Rosângela diz que demorou a criar coragem para falar sobre o caso, mas o fez para alertar e não deixar atos como esse impunes.
"Eu ensino meu filho todos os dias a respeitar todo mundo, a ter caráter como eu e meu marido temos. Eu levei tempo, cinco meses, para conseguir falar sobre o assunto. Mas, se acontecer isso com você, faça o possível e relate no dia. Dê a cara a bater e fale sobre o ocorrido. Não deixe o agressor impune. Faça o que é necessário o mais rápido possível para mostrar que nós somos mulheres somos batalhadoras, somos guerreiras e vamos vencer essa luta", disse Rosângela emocionada.
Acusado foi autuado em flagrante
Em nota, a Polícia Civil disse que, na época, o acusado foi autuado em flagrante por vias de fato e levado para o presídio de Viana, onde passou por audiência de custódia. O procedimento do flagrante foi relatado à Justiça no dia 2 de março. Ele pagou uma fiança de R$ 3 mil e foi liberado.
Agora, o advogado Lukas Pedruzzi disse que vai entrar na Justiça, em nome de Rosângela, contra o morador por racismo e violência com base na Lei Maria da Penha. A TV Tribuna tentou contato com o morador, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno.
Na semana passada, um entregador de São Paulo foi desrespeitado e humilhado dentro de um condomínio de luxo. O vídeo viralizou e ganhou o Brasil. Leia mais: VÍDEO | Motoboy sofre ofensas racistas em condomínio de luxo: "Inveja disso aqui"
Confira abaixo a reportagem da TV Tribuna, feita pelo repórter Filipe Chicarino:
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