Feminicídio em seu conceito clássico, diz delegado sobre morte de comandante
O Chefe do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabrício Dutra, ressaltou que o crime chocou até quem trabalha há anos na delegacia
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O chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Fabrício Dutra, acredita que a morte da comandante da Guarda Municipal, Dayse Barbosa, assassinada a tiros pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, tenha sido um "caso claro" de feminicídio.
Em entrevista na manhã desta segunda-feira (23), o delegado afirmou que o caso já está em apuração. No entanto, as informações já levantadas indicam que o crime pode se tratar de feminicídio.
“Dayse era uma pessoa exemplar no combate à violência contra a mulher. Toda essa história vai ser devidamente apurada para esclarecer esse crime, mas tudo indica que se trata, sim, de um feminicídio”, ressaltou.
O delegado Fabrício Dutra destacou que o esclarecimento do caso é necessário e afirmou que se trata de um dia triste.
“Estamos trabalhando para esclarecer o que levou a esse crime. Estamos à frente da investigação de homicídios há muitos anos, mas um fato como esse nos deixa emocionados, com uma sensação ruim”, declarou.
O caso
O assassinato ocorreu na casa onde a comandante vivia no bairro Caratoíra, em Vitória, por volta de uma hora da manhã. Em entrevista ao Tribuna Manhã, o pai da vítima, Carlos Roberto, afirmou que o homem usou uma escada para acessar o local e disparou ao menos cinco vezes contra Dayse, que foi atingida no rosto. Os disparos ocorreram no quarto da filha da comandante, que não estava no local no momento do crime.
"Eram por volta de 00:50, eu ouvi um 'pá', um barulho de algo quebrando e logo em seguida ouvi os tiros. Quando olhei pela janela eu vi uma escada, que ele usou pra entrar na casa e arrombar a porta", contou o pai.
Após matar a companheira, o policial rodoviário foi até a cozinha da residência e tirou a própria vida. Eles estariam em um relacionamento há cerca de quatro anos.
Crime foi premeditado, diz secretário
Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Luiz Boni, as evidências apontam que o crime foi premeditado e se enquadra como feminicídio.
"Ele foi com o intuito de cometer o feminicídio, ele levou os materiais para poder entrar na residência, para poder subir na marquise como ele subiu. Tudo indica que ele pegou ela deitada, dormindo, quando efetuou os disparos sem possibilidade de reação. Pelo estado do quarto, tudo indica que ela apenas levantou e sofreu os cinco disparos", explicou.
Ainda segundo o secretário municipal, a corporação não tinha conhecimento de ameças feitas sofridas pela comandante. "Infelizmente ela não falou isso para a gente, para que a gente pudesse tomar uma atitude e pudesse salvar a vida dela. Era uma pessoa que vivia para salvar vidas, sobretudo de mulheres", lamentou.
Em uma coletiva realizada nesta manhã, o chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Fabrício Dutra, informou que a Polícia Civil já esteve no local do crime e iniciou as investigações, coletando provas periciais.
Prefeitura decreta luto oficial
A Prefeitura de Vitória lamentou a morte da comandante e decretou luto oficial de três dias. Em uma nota oficial, a administração do município destacou que trajetória de Dayse foi "marcada por ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública e o bem-estar da população".
O velório será realizado a partir das 15h30 desta segunda-feira (23) e o sepultamento ocorrera às 17h, no Cemitério de Santo Antônio.
Leia a nota da prefeitura na íntegra:
"A Prefeitura de Vitória manifesta profundo pesar pelo falecimento da comandante da Guarda Municipal, Dayse Barbosa, cuja trajetória foi marcada por ética, dedicação, sensibilidade, coragem e compromisso com a segurança pública e o bem-estar da população.
Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público.
A Prefeitura de Vitória se solidariza com familiares, amigos e com todos os integrantes da Guarda Municipal, desejando força e conforto diante dessa perda irreparável.
Em reconhecimento à sua conduta e relevante contribuição à cidade, a Prefeitura decretou luto oficial de três dias. A memória de Dayse permanecerá viva como inspiração para todos que tiveram o privilégio de conviver com ela".
Polícia Rodoviária Federal se manifesta
Procurada pela reportagem do Tribuna Online, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) lamentou a morte da comandante e afirmou que está à disposição para colaborar com as investigações.
A corporação informou, ainda, que Diego Oliveira de Sousa lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. Confira:
"A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes (RJ). Os fatos estão sob apuração das autoridades competentes.
A Polícia Rodoviária Federal está à disposição para colaborar com as investigações. A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres".
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