Delegado-geral: "Crime contra Dante Michelini foi com 'instrumento bem afiado'"
Arruda destacou que, apesar de estar em Meaípe, o sítio é um local ermo, sem iluminação, e não tem videomonitoramento por perto
A Polícia Civil do Espírito Santo realiza buscas para localizar o assassino de Dante Brito Michelini, de 75 anos, o Dantinho, e a arma usada no crime.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou na última quinta-feira (5) que a Polícia Científica identificou o corpo de Dante e informou aos familiares.
“Hoje (ontem) foram ouvidas duas testemunhas e identificamos pessoas que tiveram algum contato com ele, como prestadores de serviços. O sítio estava à venda e queremos ouvir corretores de imóveis, por exemplo, que podem ajudar a entender como foram os últimos dias dele”.
Segundo Arruda, uma piscina foi esvaziada para tentar localizar a cabeça, uma vez que Dante foi decapitado. Além disso, cães farejadores do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil foram levados ao local do crime, um sítio. “Não está no local (a cabeça), foi retirada por uma pessoa, não sabemos ainda se foi pelo assassino”.
O delegado-geral da Polícia Civil informou que a arma usada no crime foi um “instrumento cortante e bem afiado, que causou um corte fino, semelhante a uma faca de açougueiro”. A arma não foi localizada pela polícia.
Arruda destacou que, apesar de estar em Meaípe, o sítio é um local ermo, sem iluminação, e não tem videomonitoramento por perto. As diligências continuam nesta sexta-feira (6).
Procurado na quinta-feira (5), o advogado Adir Rodrigues Silva Júnior, que representa um dos irmãos de Dante Brito Michelini, informou que não tem autorização para passar quaisquer informações e que a família não vai se manifestar.
Saiba Mais
Corpo encontrado
A polícia encontrou, na tarde de terça-feira (2), um corpo decapitado e em avançado estado de decomposição.
O corpo estava dentro de uma residência incendiada e destruída em um sítio que pertence a Dante Brito Michelini, de 75 anos, o Dantinho. Ele foi um dos investigados pela morte da menina Araceli, morta em maio de 1973, aos 8 anos.
No dia, um irmão de Dante afirmou para a polícia que tudo indicava que o corpo seria mesmo do proprietário do sítio, já que ele era a única pessoa que vivia no local.
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, afirmou ontem que a Polícia Científica identificou o corpo do empresário e informou aos familiares.
Sem contato
O corpo foi encontrado após uma funcionária não conseguir mais contato com Dante desde 7 de janeiro, pois ele não atendia ligações.
Ao chegar à propriedade, ela percebeu do lado de fora que as janelas estavam quebradas e as paredes destruídas. Por isso, acionou a polícia.
Caso Araceli
Desaparecimento
Araceli Cabrera Sánchez Crespo tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e desfigurada.
A menina morava no Bairro de Fátima, na Serra, de onde saiu para ir à escola, na Praia do Suá, em Vitória. Após sair do colégio, foi vista por uma testemunha, um adolescente, em um bar próximo ao cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal, em Vitória. Depois disso, Araceli não foi mais vista. A família passou a buscar pela menina.
Dias após o desaparecimento, o corpo de uma criança foi encontrado desfigurado e em avançado estado de decomposição em uma mata atrás do Hospital Infantil, em Vitória.
Sem solução
O caso Araceli até hoje continua a intrigar, já que ninguém foi punido pela morte da menina.
As investigações foram marcadas por fatos desencontrados e diversas versões ao longo dos anos.
Na época, a Justiça chegou a três principais suspeitos: Dante Brito Michelini, conhecido como Dantinho; seu pai, o comerciante Dante de Barros Michelini; e Paulo Helal, todos membros de tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo.
Os três foram condenados em primeira instância, mas depois absolvidos pelo Tribunal de Justiça, por falta de provas.
Dia de Combate
Desde o ano 2000, 18 de maio – dia do desaparecimento de Araceli – se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
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