Com ajuda da Suíça, polícia encontra adolescente que ameaçava atacar escola no ES
Adolescente suspeito de ameaçar escola particular de Cariacica foi identificado com apoio da Embaixada da Suíça e Ministério da Justiça.
Uma investigação da Polícia Civil, com apoio da Embaixada da Suíça, levou à identificação de um adolescente de 13 anos suspeito de fazer ameaças de ataque contra uma escola particular de Cariacica.
As mensagens – enviadas por e-mail para a escola – continham ameaças de morte, conteúdo racista e ofensas contra integrantes da comunidade escolar. Em uma delas, o autor ainda desafiava a polícia a descobrir quem estava por trás das ameaças.
A investigação começou no dia 31 de agosto, quando a Polícia Civil recebeu um boletim de ocorrência relatando as ameaças contra a escola.
De acordo com o chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), delegado Brenno Andrade, foram enviados diversos e-mails à instituição.
“Eram ameaças de morte contra várias pessoas. Havia ameaças de cunho racista também, no e-mail, contra colegas, contra os indivíduos dentro da escola”.
Andrade relatou que o autor chegou a perceber que estava sendo procurado e enviou mensagem novamente para a escola dizendo que a polícia não conseguiria descobrir quem ele era.
Para chegar até o adolescente, os investigadores contaram com apoio da Embaixada da Suíça, em Brasília, e do Ministério da Justiça, que auxiliaram na obtenção de dados técnicos utilizados para identificar o responsável.
O mandado de busca e apreensão na casa dele foi cumprido no dia 16 de setembro. “Ao chegar à residência, o adolescente não colaborou no primeiro momento com a polícia, inclusive começou a mexer no aparelho do telefone, o que fez com que a gente desconfiasse que ele poderia querer apagar provas do crime. Foi necessário que a polícia agisse”, detalhou Andrade.
Outro fato que chamou a atenção da polícia foi que o pai do adolescente, ao chegar ao local, também não teve uma postura colaborativa com a investigação.
“Explicamos o motivo pelo qual estávamos ali e o pai demonstrou estar mais preocupado em como aquilo iria prejudicá-lo no pedido para obter um porte de arma de fogo, que estava tentando junto à Polícia Federal”.
O aparelho celular do adolescente foi apreendido e encaminhado à Polícia Científica para perícia. A investigação ainda não foi concluída.
Investigação
Teve início em 31 de agosto, após a Polícia Civil receber um boletim de ocorrência sobre ameaças enviadas por e-mail a uma escola de Cariacica.
As mensagens continham ameaças de ataques, inclusive de morte, além de conteúdo racista contra integrantes da comunidade escolar.
Identificação
A identificação do autor, um adolescente de 13 anos, foi possível após a obtenção de dados técnicos, com apoio jurídico internacional da Embaixada da Suíça e do Ministério da Justiça, em Brasília.
No dia 16 deste mês foi cumprido um mandado de busca e apreensão na casa do adolescente. Ele foi ouvido, acompanhado dos pais. O celular e o computador foram apreendidos e serão periciados.
O que disse
Segundo a Polícia, ele confessou ter criado o e-mail das ameaças. Afirmou que tinha acesso a conteúdos desde os 10 anos, incluindo pela plataforma de mensagens Discord. Também relatou sofrer bullying na escola.
O que pode acontecer
O inquérito permanece em andamento até a conclusão da perícia. Por se tratar de um adolescente, a Polícia Civil ainda precisa reunir os elementos e avaliar por quais atos infracionais ele poderá responder.
Alerta para conteúdos violentos
O caso do adolescente identificado pela Polícia Civil chama a atenção para o acesso cada vez mais precoce de crianças e adolescentes a conteúdos violentos e para a necessidade de os pais acompanharem o que é consumido no ambiente virtual.
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, mudanças repentinas de comportamento, isolamento e alterações de humor podem indicar que o adolescente esteja passando por algum problema que precisa ser acompanhado.
Jordano Bruno destacou ainda a importância de os responsáveis saberem quais conteúdos os filhos acessam na internet.
“As redes sociais podem expor crianças e adolescentes a materiais de violência, pornografia, discriminação e racismo, capazes de influenciar comportamentos”, afirmou.
O delegado Brenno Andrade salientou que por muito tempo as forças de segurança deixaram de divulgar casos de ameaça a escolas, temendo que esse tipo de divulgação pudesse de alguma forma incitar novos ataques.
“No entanto, percebemos um efeito quase contrário. Ao não comunicar, a impressão é de que nada estava acontecendo, mas está. Estamos reforçando aos pais que observem os filhos. De forma secundária, a comunidade escolar também precisa estar atenta”.
A Polícia Civil também reforçou que ameaças, bullying e cyberbullying não devem ser tratados como “brincadeira”.
“Isso não pode ser naturalizado. Os pais têm de monitorar, acompanhar e aconselhar tanto a criança que é vítima quanto a que pratica”, afirmou Jordano Bruno.
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