Portuário é condenado a 12 anos de prisão por golpe milionário
Tarlan Moura Lyra deu um prejuízo de R$ 2,3 milhões para, pelo menos, cinco vítimas diretas do esquema
Acusado de aplicar golpes de falsos investimentos na compra de aparelhos eletrônicos, o portuário Tarlan Moura Lyra, de 41 anos, foi condenado pela Justiça a uma pena de prisão de 12 anos e seis meses. O prejuízo para pelo menos cinco vítimas diretas do esquema – entre amigos, colegas de trabalho e conhecidos – somam R$ 2,3 milhões.
Segundo a decisão, assinada pelo juiz Marcelo Menezes Loureiro, da 10ª Vara Criminal de Vitória, o acusado simulava negócios de compra e revenda de produtos da Apple e oferecia às vítimas retornos financeiros de até 12,5% em períodos curtos.
Ainda de acordo com a sentença, o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) obtido na investigação policial comprova a movimentação bancária de R$ 115 milhões nas contas do acusado em um período de três anos.
O padrão, segundo a decisão, é incompatível com a renda declarada de conferente portuário.
O magistrado ainda expõe que, enquanto Tarlan afirmava que o dinheiro recebido das vítimas se destinava à compra de estoque de aparelhos Apple no “Shopping Mundo Oriental”, em São Paulo, os dados bancários oficiais revelaram que os valores captados via Pix eram pulverizados por meio de saques em espécie e transferidos para contas de terceiros e plataformas de apostas virtuais.
Diz, ainda, que as provas e a movimentação financeira demonstram que “o réu fez do estelionato seu estilo de vida e atividade profissional permanente”.
Três vítimas do esquema foram ouvidas pela reportagem do jornal A Tribuna, publicada com exclusividade em novembro do ano passado. Elas revelaram que Tarlan sempre foi bem relacionado, com muitos amigos e bom papo.
Chegou a morar em Jardim Camburi, em Vitória, e na Praia da Costa, em Vila Velha, onde era sempre encontrado em festas e partidas de futevôlei.
Duas das vítimas eram colegas de trabalho e portuários, assim como Tarlan. Foi essa proximidade usada pelo acusado para oferecer os “investimentos”.
Uma delas, um conferente de 41 anos, contou que conhecia Tarlan há 20 anos, por isso confiava no “amigo” e passou a fazer depósitos para ajudá-lo a ter capital de giro.
Ele perdeu R$ 430 mil com transferências que foram realizadas entre 26 de setembro e 2 de outubro do ano passado. Quatro dias depois percebeu que tinha enviado as economias de toda a vida e passou a pedir de volta
Entenda o caso
Investimentos
O portuário Tarlan Moura Lyra, de 41 anos, foi investigado pela Polícia Civil por aplicar golpes de falsos investimentos.
Segundo as vítimas, ele começou há alguns anos a vender aparelhos celulares e notebooks.
Posteriormente disse a amigos e colegas de trabalho que passou a trabalhar também com a venda de aparelhos eletrônicos para lojistas de toda a Grande Vitória.
Segundo ele, trazia muitos aparelhos de São Paulo para repassar aos lojistas, com movimentações grandes de valores.
Alegava também que, como muitas vezes demorava para receber de lojistas, precisava de capital de giro para garantir novas encomendas. Por isso, oferecia investimentos para os amigos, com a promessa de na semana seguinte dividir o lucro das vendas.
Retornos
Segundo as vítimas, as promessas de lucro giravam entre 5% e 10%, na maioria dos casos.
Para alguns amigos “investidores”, ele retornava inicialmente valores, para ganhar sua confiança. Depois, ia pedindo cada vez mais para novos supostos investimentos.
Como as vítimas eram pessoas conhecidas dele, todas confiavam.
Atrasos
Entre agosto e setembro do ano passado, vítimas relatam atrasos e uma série de desculpas para não retornar os valores acordados.
Em um momento, ele parou de responder.
Vítimas
Cinco vítimas foram identificadas nas investigações. Uma delas é um personal trainer e amigo que teria perdido R$ 1,2 milhão no esquema.
Já outros dois colegas de trabalho conferentes perderam R$ 97,9 mil e R$ 430 mil.
Uma mulher de 42 anos, namorada de um amigo de Tarlan na época, também perdeu R$ 406 mil.
A quinta vítima é um amigo, que perdeu R$ 95 mil.
Na Justiça
Tarlan Moura Lyra foi preso em março deste ano, após ter um mandado expedido pela Justiça.
O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia e, em agosto, a Justiça condenou o portuário a uma pena de 12 anos e seis meses de reclusão, inicialmente em regime fechado.
O magistrado, da 10ª Vara Criminal de Vitória, ainda expôs que o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) revelou a “atípica e estratosférica” movimentação nas contas mantidas pelo réu por três anos, pulverizada por saques em dinheiro e direcionamento de recursos a plataformas de apostas esportivas.
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