Advogado preso no Peru usava documentos falsos para permanecer no país, diz polícia
Joel Ferreira da Silva Júnior é apontado como mentor de uma organização criminosa suspeita de atacar empresários do Norte do ES
O advogado Joel Ferreira da Silva Júnior, de 56 anos, foragido da Justiça do Espírito Santo desde 2018, foi preso no Peru após ser localizado por equipes de inteligência capixabas. Ele é apontado como mentor de uma organização criminosa formada por 11 integrantes, investigada por furtos e roubos contra empresários do Norte do Estado.
A captura ocorreu na semana passada, em uma ação que envolveu o Laboratório de Inteligência Cibernética (Cyberlab), a Polícia Federal e autoridades peruanas. A prisão foi divulgada nesta quinta-feira (20).
Segundo o subsecretário de Inteligência da Sesp, Paulo Expedicto Amaral, Joel utilizava documentos falsos para esconder a identidade e permanecer no país. “A partir dessa identidade, do vínculo dessa identidade falsa com a identidade verdadeira e a confirmação dessa identidade, nós conseguimos localizar onde ele estava escondido no Peru”, afirmou.
Joel possuía registros na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em dois estados e, de acordo com as investigações, usava o conhecimento técnico para auxiliar nas estratégias da organização criminosa. Os outros dez integrantes já haviam sido presos. O advogado teria obtido a documentação falsa em 2018 e, depois, seguido para o Peru, onde passou a viver como comerciante.
De acordo com o gerente do Disque-Denúncia 181, Leandro Barbosa, a identidade criada no país dificultou a localização. “Ele vivia uma vida muito tranquila no Peru, então ele não esperava por ser surpreendido lá, já que lá ele era uma outra pessoa, um outro personagem, sem nenhum vínculo, nenhum resquício de vínculo com o Brasil”, disse.
Após identificar o endereço do foragido, o Cyberlab encaminhou as informações à Polícia Federal. O nome de Joel foi incluído na difusão vermelha da Interpol, mecanismo que permitiu a comunicação com as autoridades peruanas e a efetivação da prisão.
O advogado permanece sob custódia no Peru enquanto tramita o processo de extradição para o Brasil, onde deverá cumprir a pena determinada pela Justiça. A captura foi a quarta internacional relacionada a trabalhos do Cyberlab. As anteriores envolveram um condenado por estupro localizado em Portugal e dois condenados por tráfico de drogas localizados nos Estados Unidos.
Segundo Barbosa, denúncias sobre foragidos podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181. “Essa denúncia vai ser checada, processada e, junto com a Polícia Federal, trabalhada para que eles possam ser capturados em qualquer local que se encontrem”, afirmou.
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