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“A gente lutou seis anos por justiça”, diz mãe de crianças abusadas por pastor

| 11/12/2019 14:46 h | Atualizado em 11/12/2019, 21:35

Administradora mãe das meninas vítimas de abuso por um pastor, segura a Bíblia e diz que o relato de uma vítima nunca deve ser contestado
Administradora mãe das meninas vítimas de abuso por um pastor, segura a Bíblia e diz que o relato de uma vítima nunca deve ser contestado |  Foto: Patricia Maciel / AT
Após seis anos esperando por justiça contra o pastor acusado de abusar sexualmente de suas duas filhas, na época com 4 e 9 anos, a mãe das crianças ficou indignada ao receber a notícia da soltura dele, na segunda-feira.

O pastor evangélico, de 57 anos, foi condenado por abuso sexual mas foi solto por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de derrubar a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância. Os crimes aconteceram na Serra, em 2013.

Quando a Corte tomou a primeira decisão, em 2016, o pastor estava respondendo ao processo em liberdade. Em março de 2018, ele foi preso, por causa daquela decisão do STF. Agora, um ano e nove meses depois, o pastor foi solto novamente.

O prende-e-solta causou indignação à mãe das vítimas, uma administradora, de 43 anos. A identidade dos envolvidos não está sendo revelada, para preservar as vítimas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. A mãe contou à reportagem de A Tribuna que lutou para que o pastor fosse preso desde a época em que os crimes foram descobertos. O homem é casado com uma irmã da administradora e considerado como tio das meninas.

Leia Mais: Pastor condenado por estupro é solto após decisão do Supremo Tribunal Federal

Após as primeiras denúncias, outras duas meninas da família, adolescentes, relataram que também sofreram abusos por parte do tio, durante a infância. O pastor foi condenado no processo por essa outra acusação, em Vitória.

“Agora ele está se beneficiando pela decisão do STF e vai procrastinar (adiar), como todos os outros marginais, por 20 anos. Então ele sairá impune por quatro abusos sexuais contra as sobrinhas”, afirmou o advogado da família das vítimas, Bruno Silveira.

Pastor evangélico de 57 anos foi condenado por abuso sexual contra duas crianças, na época com 4 e 9 anos
Pastor evangélico de 57 anos foi condenado por abuso sexual contra duas crianças, na época com 4 e 9 anos |  Foto: Leone Iglesias - 18/03/2018

Entrevista

A Tribuna – Os abusos contra suas filhas foram cometidos por um pastor?
Mãe das vítimas – Ele era pastor mas não era da igreja local que nós frequentávamos. Ele é casado com uma irmã minha. Já estava na família há 24 anos.

Como você descobriu os abusos?
Nós estávamos em um sítio, em um final de semana, e notamos que uma das meninas estava estranha. Com calma tentei sondar, e ela contou o que houve naquela tarde e disse que já havia acontecido outras.

Ela tinha quantos anos?
Quatro anos. Fez cinco naquele mês. Quando ela contou eu fiquei muito desesperada. Posteriormente a minha filha mais velha, na época com 9 anos, também relatou. Depois, outras crianças mais velhas, na época com 15 anos, confessaram que sofreram também abusos dele durante a infância, mas não contaram por medo de não acreditarem nelas.

Qual foi a atitude que você tomou?
Fizemos a ocorrência. Durante as investigações, ele chegou a ser preso. Outro fato muito marcante desse caso é que ele tem seis filhos adotivos. Então na época, em 2013, quando veio à tona, ele era garoto propaganda da adoção tardia, na Serra. Tinha outdoor espalhado pela cidade toda.
O advogado dele informou que os relatos das crianças dizem que ele apenas as abraçou de forma libidinosa.
O relato de uma vítima nunca deve ser contestado. Partindo do princípio de que ainda são crianças, eu acredito que ainda mais. Existem laudos psicológicos das vítimas que atestaram de fato, o abuso.

Depois disso tudo, como ficou a família?
Destruída. Porque a gente se culpa muito por não ter tido essa visão de que isso poderia estar acontecendo.

Como foi sua sensação diante do alvará de soltura?
É revoltante, desapontador, uma sensação de impunidade, de raiva (choro). A gente brigou seis anos para que fosse feita justiça. Tivemos altos custos com advogado. Quando essa pessoa vai cumprir realmente a pena perante a sociedade? Não vai cumprir mais.

O que você espera que aconteça agora?
A gente fica suscetível à decisão do Senado. O que eu espero na verdade é que a justiça aqui no Estado, tenha consciência do que pode estar sendo feito. Se ainda não está tudo esclarecido, como proceder em casos de crimes hediondos, que aguarde, que espere, que seja feito com mais cautela.

O que você pensa sobre o fato de ele ser pastor, uma referência religiosa?
Era um lobo em pele de cordeiro, uma pessoa acima de qualquer suspeita. Pai de família, pastor, casado com uma irmã minha. Ele usou da confiança que tinha para cometer esse crime.

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