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Planos e esperança para a volta do teatro no Estado

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Planos e esperança para a volta do teatro no Estado


Bruna Dornellas e Wesley Telles: mudanças após a pandemia (Foto: Divulgação/Vitor Zorzal)
Bruna Dornellas e Wesley Telles: mudanças após a pandemia (Foto: Divulgação/Vitor Zorzal)
As cortinas estão fechadas. As cadeiras, vazias. As luzes, apagadas. A bilheteria, fechada. Esse é o cenário dos teatros pelo mundo, em virtude da pandemia do coronavírus. Já são meses assim, que ainda seguirão carregando a incerteza de quando a rotina cultural voltará ao seu ritmo.

Mesmo com um panorama caótico, a produtora cultural Bruna Dornellas, 34 anos, já tem o retorno dos espetáculos pensado, e devidamente adaptado para esse “novo mundo pós-pandemia”, como ela diz, em entrevista ao AT2.

Em parceria com Wesley Telles, há 13 anos, Bruna comanda a WB Produções que, quando o mundo parou, estava com o calendário de 2020 fechado para apresentar entre 15 e 20 peças, entre produções locais e nacionais.

“Isso de março a novembro”, reforça Bruna, ao explicar que são os meses em que a atividade teatral efervesce em Vitória. Mas a produtora cultural segue firme.

“Temos a esperança de voltarmos em agosto, mas sabemos que não depende só da gente. Se isso acontecer, a ideia é seguir com o calendário de peças agendadas para outubro e novembro. E, as que tivemos que suspender, realocaremos para os meses considerados incertos por nós, que são dezembro, janeiro e fevereiro. Isso para tentarmos fechar o cronograma de 2020, em maio de 2021”, diz.

Com pique total, Bruna Dornellas garante: “Quando pudermos voltar, vamos num batidão só. Os espetáculos vão acontecer, só não sabemos quando. Queremos que aconteçam”, garante.

“Rose, a Doméstica do Brasil”, com Lindsay Paulino, do Circuito Banestes de Teatro, estava marcada para abril, mas foi reagendada para 28 e 29 de novembro. “Os ingressos estavam praticamente esgotados e pensávamos em abrir sessão extra, quando tudo aconteceu. Fazemos questão de apresentar e temos discutido a maneira correta para esse retorno”, frisa.

Para a produtora, o ensaio dessa volta mais parece um grande quebra-cabeça, cheio de enigmas. “Será um novo mundo. Teremos que recriar hábitos. Pensamos em peças no meio da semana. Em sessões com a capacidade reduzida, para dar o espaçamento entre as cadeiras. O uso de máscaras. Venda de ingressos 100% online. Salas abertas com antecedência, para não ter filas. Aferimento de temperatura. Salas ventiladas, além do valor dos ingressos alterados”, pontua.


Bruna Dornellas | Produtora cultural
“Aqui, o calendário cultural é de março a novembro”


Bruna Dornellas (Foto: Divulgação/ Camila Baptistin)
Bruna Dornellas (Foto: Divulgação/ Camila Baptistin)
AT2: São três meses com a vida pausada e, no cronograma de retorno gradativo às atividades, a cultura está em último lugar. Já calculou esse impacto?
Bruna Dornellas: Fazemos parte de uma associação de produtores culturais do Brasil, e o prejuízo calculado é de cerca de R$ 100 bilhões. É muita coisa. Aqui, o calendário das atividades culturais é sazonal, de março a novembro. E, por isso, a WB já tem a previsão de ficar três meses sem trabalhar. O que já é ruim, mas fazemos nosso planejamento em cima disso.

Logo, essa pandemia pegou a gente no início do nosso ano de produções. Fizemos uma peça em Vitória e uma viajando. Estávamos começando a voltar quando tudo aconteceu. E o impacto está sendo enorme. Nossa maior renda é da bilheteria e, hoje, estamos completamente parados.

As lives com bate-papo com convidados têm sido uma nova rota traçada pela WB. Não é?
Sim. Pensamos nas lives para manter a comunicação com o público. As pessoas não podem nos esquecer. Então, por isso, todas as quintas-feiras, no Instagram da produtora, recebemos convidados. A primeira foi minha com o Wesley (Telles, sócio da WB). Falamos sobre o cenário cultural. O jornalista Lair Rennó, por exemplo, falou sobre o mundo jornalístico. Nossa próxima convidada será a Mabel Cezar.

A produção não pode parar.
Sim, claro! Estamos estudando novos projetos, cheios de peças que acabamos de comprar os direitos autorais, doidos para partir para a prática.

De março a junho, quantas peças não foram apresentadas das produções da WB e dos circuitos Banestes e Unimed?
De março a junho, seis peças.

Entre elas, peça “Meu Quintal é Maior do que o Mundo”, com Cássia Kiss.
Sim. A peça ia abrir o circuito Banestes. Estávamos muito entusiasmados, felizes por trabalhar com ela pela primeira vez.

Mariana Xavier faria o “Antes do Ano que Vem”, uma montagem da WB.
Sim! Olha o que aconteceu com a Mari: dia 4 de janeiro ela estrearia com a peça no Teatro Bangu, no Rio de Janeiro. Só que não aconteceu porque ela quebrou o pé, teve que passar por uma cirurgia e ficar 40 dias sem pisar. Estávamos em processo de ensaio quando aconteceu a pandemia.

Nessa também entrou a “Através da Íris”, uma produção WB, com Nathalia Timberg.
Sim, que também estaria voltando quando tudo aconteceu. O espetáculo parou em setembro porque ela estava gravando “A Dona do Pedaço”. Voltamos em março. No primeiro final de semana de março, a atriz chegou a fazer três sessões lotadas no Teatro São Pedro, em Porto Alegre, e ficaria em cartaz no Sul o mês todo. Em maio, viria para Vitória.


Serviço


“Tudo sobre dublagem”
O quê: Bate-papo cultural com a dubladora Mabel Cezar.
Quando: Próxima quinta-feira, dia 4, às 19h.
Onde: Com transmissão pelo Instagram @wb_producoes.


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