De Suape ao Galo: Lula defende soberania na saúde antes de estrear na folia
Presidente visita fábrica em Pernambuco e afirma que Brasil será potência em remédios
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou sua agenda oficial em Pernambuco, nesta sexta-feira (13), com uma visita ao complexo industrial de Suape. Antes de participar do desfile do Galo da Madrugada, neste sábado (14), o petista vistoriou as instalações do Aché Laboratórios Farmacêuticos, no Cabo de Santo Agostinho.
Comitiva e bastidores políticos
Lula chegou acompanhado da governadora Raquel Lyra (PSD) e do prefeito do Recife, João Campos (PSB). O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e diversos ministros também integraram o grupo. A cena política foi reforçada pelas presenças do senador Humberto Costa (PT), do ministro Silvio Costa Filho (Republicanos) e de Marília Arraes (SD), nomes que movimentam as articulações para o Senado pela frente popular.
Produção e investimentos
A visita marcou a nova etapa da fábrica, que recebeu um investimento de R$ 267 milhões. Os recursos foram viabilizados pelo Governo Federal através do BNDES e do Banco do Nordeste (BNB). Com a expansão, a unidade terá capacidade para produzir 700 milhões de medicamentos por ano, fortalecendo o polo farmacoquímico do Estado.
Soberania e o futuro da indústria
Durante a visita, Lula questionou José Vicente sobre o futuro do setor no país. O empresário destacou que, atualmente, o Brasil já produz 60% dos medicamentos que consome, mas afirmou que o país tem estrutura para chegar aos 100%. "A gente tem tudo para ter o Brasil com autonomia na indústria farmacêutica", pontuou o executivo.
Lula conversou bastante com o presidente da Aché, José Vicente Marino. Segundo o executivo, cerca de 35% do faturamento de medicamentos da fábrica abastece o SUS. Além disso, os fármacos da indústria já chegaram às mãos de 50 milhões de brasileiros, “sejam pacientes do SUS, sejam pacientes das farmácias”, disse José Vicente.
A Aché, atualmente, tem 3 mil trabalhadores diretos e indiretos e, de lá, saem medicamentos para 17 países. “Em 2003, só existia uma companhia nacional entre as 10 que era o Aché. Em 2026, a gente tem a felicidade de ter 6 das 10 maiores indústrias farmacêuticas do Brasil sendo nacionais”, acrescentou José Vicente, ressaltando o fortalecimento do setor.
Lula reforçou que a redução da dependência externa é uma prioridade de governo. "Se tem alguém que quer enxergar esses 100% sou eu, porque quero o Brasil soberano na questão da saúde", afirmou o presidente, garantindo apoio através dos ministérios da Saúde, Indústria e Comércio, além do BNDES.
Ciência e acesso
José Vicente explicou que o papel da indústria nacional é atuar na fronteira da inovação, mas também garantir o acesso da população através da redução de preços, especialmente após a queda de patentes. Para Lula, o avanço da Aché prova que o Brasil superou a imagem de um país incapaz de produzir sua própria tecnologia em saúde.
Memória e relação antiga
Em um momento de descontração, o presidente relembrou sua relação histórica com a fundação da Aché, que remonta à campanha de 2003. Lula contou que conheceu o antigo dono da empresa, Victor Siaulys, e chegou a produzir seu programa de governo em Braille para presentear a filha de Victor, Lara, que tem deficiência visual.
Ao encerrar o encontro, o presidente demonstrou otimismo com o polo farmacêutico de Pernambuco. "Nós acreditamos que o Brasil vai se tornar uma potência na produção de remédios", declarou Lula, antes de seguir para os compromissos de Carnaval no estado.
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