Câmara do Recife rejeita pedido de impeachment de João Campos por 25 votos a 9
Com galerias lotadas e base aliada mobilizada, denúncia sobre irregularidades em concurso é arquivada
A Câmara Municipal do Recife rejeitou, nesta terça-feira (3), o pedido de impeachment contra o prefeito João Campos (PSB). Como já era antecipado pelos bastidores políticos, a base aliada garantiu uma vitória folgada no plenário, consolidando o arquivamento da denúncia com um placar de 25 votos contrários, 9 favoráveis e uma abstenção, registrada pela vereadora Flávia de Nadegi (PV).
A sessão foi marcada por uma estratégia bem-sucedida da bancada governista, que mobilizou apoiadores para ocupar a maior parte das galerias da Casa de José Mariano. O clima de pressão popular foi visível tanto dentro quanto fora do legislativo, onde manifestantes se aglomeraram, embora a entrada tenha sido restrita à capacidade física do auditório por questões de segurança.
Com o resultado, João Campos supera o desgaste da tentativa de impedimento e mantém a gestão com apoio da maioria absoluta dos vereadores.
PEDIDO DE IMPEACHMENT DE JOÃO CAMPOS (PSB)O pedido de impeachment contra o prefeito João Campos fundamentou-se em supostas irregularidades na nomeação de um candidato em um concurso para procurador municipal. A denúncia apontou que a gestão teria favorecido Lucas Vieira Silva — filho de magistrados — ao aceitar sua inclusão nas vagas reservadas para Pessoas com Deficiência (PCD) dois anos após a inscrição, em detrimento do candidato Marko Venício, que havia sido o único aprovado naquela cota. A decisão de alterar o resultado ignorou pareceres contrários de procuradoras concursadas, o que levou a oposição a alegar crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
Além da questão do concurso, o requerimento citou um possível conflito de interesses envolvendo o pai do candidato beneficiado, o juiz Rildo Vieira da Silva. O documento destacou que, após ser promovido para uma vara especializada em crimes contra a administração pública, o magistrado arquivou um processo da Operação Barriga de Aluguel, que investigava desvios de recursos superiores a R$ 100 milhões. Embora o prefeito tivesse recuado da decisão e nomeado o candidato original após a repercussão negativa, o pedido sustentava que a tentativa inicial de favorecimento justificava a abertura de investigação e o afastamento do gestor.
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