SDS nega espionagem e diz que monitoramento de secretário do Recife foi padrão
Gustavo Monteiro, secretário de Articulação do Recife, foi monitorado por três meses pela Polícia Civil de Pernambuco
Com informações da repórter Luciana Queiroz, da TV Tribuna
Atualizada às 19h25
O Secretário de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), Alessandro de Carvalho, classificou como "falsa" a narrativa de que a Polícia Civil teria realizado uma operação de espionagem contra Gustavo Monteiro, secretário de Articulação do Recife. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (26), o gestor afirmou que a ação se tratou de uma investigação motivada por denúncia anônima.
"A ação da Polícia Civil de Pernambuco foi completamente legal, na forma em que se tem que trabalhar em situações dessa natureza", disse Alessandro Carvalho em entrevista à repórter Luciana Queiroz.
De acordo com Carvalho, a denúncia apontava um suposto esquema de pagamento de propina relacionado a contratos públicos. O relato indicava que entregas de valores estriam acontecendo no estacionamento de um shopping, envolvendo um veículo oficial da prefeitura. O carro, alvo da investigação, segundo o secretário, chegou a ter instalado pelos policiais um rastreador por GPS.
O monitoramento do secretário ocorreu entre agosto e outubro de 2025, através de um grupo composto por 10 policiais (três delegados e sete agentes). O procedimento foi suspenso e a investigação arquivada após três meses, pois nenhuma irregularidade foi constatada, esclareceu o secretário.
"A Justiça veda a abertura de inquérito baseada apenas em denúncia anônima. Por isso, realiza-se a checagem preliminar. Como nada foi confirmado, o caso foi encerrado", explicou, defendendo que o método é um padrão adotado por todas as policias.
Suspeita de vazamento e retaliação
A SDS-PE investiga agora o vazamento das informações do grupo de trabalho para a imprensa. A principal linha de investigação aponta para um policial que integrava a equipe, mas que foi afastado em novembro de 2025.
O agente teris sido flagrado em uma reunião suspeita com o então presidente da Câmara de Vereadores de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD), que acabou preso por desvio de recursos públicos. Um inquérito foi instaurado nesta segunda-feira para apurar o crime de violação de sigilo funcional.
O caso ganhou repercussão após reportagem exibida no programa Domingo Espetacular, da TV Record, neste domingo (25) revelar que agentes monitoraram a rotina do secretário e instalaram um rastreador em um veículo oficial da prefeitura, também utilizado por seu irmão, Eduardo Monteiro.
Reação da Prefeitura do Recife
Em nota oficial, a gestão João Campos reagiu duramente, classificando o episódio como "perseguição política" e tentativa de uso eleitoral das forças de segurança.
"Essa atitude caracteriza uma conduta ilegal, inconstitucional e imoral, nunca vista em nosso Estado", diz trecho do comunicado.
A prefeitura afirmou ainda que acionará as esferas administrativas e judiciais para "defender seus servidores e garantir que a Polícia Civil não seja utilizada como instrumento político", diz a nota.
O advogado que está acompanhando o caso espera que a Polícia Federal investigue o caso. Eduardo Trindade diz que, até agora, tudo aponta para o uso da polícia em uma investigação não oficial. Ele solicitou a SDS que envie formalmente para análise as cópias de tudo o que foi feito. "Eu preciso analisar se isso foi feito dentro da formalidade e legalidade, ou se foi feito à margem do sistema, o que seria inaceitável", afirmou o advogado.
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