Protesto pró-Venezuela termina em confusão entre PMs e manifestantes no Recife
Confronto ocorreu durante caminhada em direção ao Consulado Americano; estudante ficou ferido na perna e dois policiais tiveram ferimentos na cabeça
Um protesto pró-Venezuela terminou em confusão entre policiais militares e manifestantes, na tarde desta terça-feira (29), no Centro do Recife. O grupo seguia da Praça do Derby em direção ao Consulado Americano, no bairro da Boa Vista, quando houve um confronto, cujas circunstâncias ainda não estão esclarecidas. (Veja matéria de Luciana Queiroz no JT1 abaixo)
Imagens que circulam nas redes sociais e foram divulgadas pela TV Tribuna PE mostram um policial militar apontando uma espingarda, supostamente municiada com balas de borracha, enquanto ordena o afastamento dos manifestantes. Em outro momento, um participante afirma ser da imprensa, mas a ação policial prossegue.
De acordo com a Polícia Militar, os agentes estariam no local tentando identificar supostos envolvidos em ataques a comerciantes da região, incluindo a possível utilização de coquetéis molotov. No entanto, até o momento, não foram mostrados registros de boletim de ocorrência sobre o ataque.
Durante a confusão, um jovem de 21 anos, que filmava a ação policial, foi atingido de raspão na perna. Ele foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestou esclarecimentos e foi liberado.
Feridos e prisão
Ainda durante o tumulto, dois policiais militares ficaram feridos na cabeça após serem atingidos, supostamente, por pedaços de madeira. Um deles sofreu um corte profundo. Um outro policial teve a perna machucada. Não há confirmação oficial sobre quem teria iniciado as agressões.
Um estudante universitário, de 23 anos, foi identificado e preso, apontado como suspeito de agredir os policiais. Ele foi levado à Central de Plantões da Capital e, em seguida, encaminhado ao DHPP. Na manhã desta quarta-feira (30), passou por audiência de custódia, em um fórum do Recife. O resultado não foi divulgado até agora.
A mãe do estudante afirmou que o filho é inocente e que não estava armado no momento da confusão. Já a defesa informou que o barrote apreendido não estava com o jovem e que o objeto não apresenta vestígios de sangue. Imagens de câmeras de segurança devem ser analisadas.
Uma adolescente de 16 anos também esteve entre os envolvidos. Ela prestou esclarecimentos à polícia e foi liberada.
A motivação do protesto
O grupo realizava um protesto em apoio à Venezuela, país que enfrenta uma crise política. O país vive uma crise geopolítica profunda desde o início de 2026, quando forças militares dos Estados Unidos realizaram uma operação em solo venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro.
A ação foi descrita pela administração norteamericana como parte de uma campanha contra o narcotráfico e, segundo críticos e organismos internacionais, um esforço de mudança de regime e de controle sobre os vastos recursos petrolíferos do país — os maiores do mundo — que passaram a estar, na prática, sob influência de operadores americanos.
Veja a matéria de Luciana Queiroz no JT1, comandado por Artur Tigre
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