Investigado por matar turista em Porto de Galinhas confessa crime e é liberado
Jovem de 21 anos se apresentou à polícia 11 dias após o homicídio; sem flagrante ou mandado, ele responderá em liberdade
O jovem de 21 anos investigado por disparar contra o turista paulista Rafael Ventura Martins, de 32 anos, em Porto de Galinhas, está em liberdade. Ontem (15), onze dias após o crime, ele compareceu à delegacia de Ipojuca acompanhado de sua advogada. Até então, a identidade do autor era desconhecida pelas autoridades policiais.
Diante do delegado, o jovem, que é comerciante, confessou a autoria dos disparos que tiraram a vida de Rafael em um bar no último dia 4 de janeiro. Por ter se apresentado espontaneamente fora do período de flagrante e sem uma ordem judicial de prisão, ele foi liberado após o depoimento. (Veja matéria do JT1 abaixo)
Vigília digital e suposta dívida
A apuração aponta que o crime não foi um encontro ocasional. De acordo com a defesa, o jovem acompanhava a rotina da vítima pelas redes sociais. Ao identificar que Rafael estava em Porto de Galinhas — local que o investigado considerava fora do círculo de proteção que a vítima teria no Recife — ele decidiu ir ao encontro do turista.
Em entrevista concedida ao repórter Carlos Simões, a advogada do jovem, Maria Júlia Leonel, afirmou que a motivação do crime estaria ligada a uma dívida anterior entre investigado e vítima, decorrente de transações anteriores — cujos detalhes não foram revelados para não prejudicar as apurações.
A versão da defesa e a dor da vítima
A cena descrita no depoimento buscou estabelecer atenuantes. O investigado afirmou que se sentiu provocado por "encaradas" e que acreditou que Rafael estaria armado devido a um gesto brusco, o que o teria levado a atirar. O resultado foi a morte imediata do turista, que estava acompanhado da esposa.
“Supostamente, ele foi até Porto para poder fazer essa cobrança (da dívida). Chegou ao bar, eles começaram a se encarar, a vítima encarava os amigos dele (dois homens) e começaram aquelas provocações. O meu cliente, um menino de 21 anos, bebendo, perdeu completamente a cabeça e se aproveitou ali de uma ocasião, que a gente chama de ocasião, foi pra cima da vítima. Quando chegou lá, achou que ele estava armado por um gesto que ele fez e acabou disparando. Infelizmente a gente teve o resultado que deu”, disse Maria Júlia Leonel.
Enquanto o suspeito alega ser um "trabalhador" que cometeu um erro grave e não pretende fugir da justiça, a viúva, Marcela, retornou a São Paulo e aguarda pelos desdobramentos da justiça. Rafael levou dois tiros, um deles na cabeça.
Arestas e próximos passos
O depoimento trouxe as qualificações civis que a Polícia Civil ainda não possuía, permitindo que a investigação avance para a fase de provas. Além do homicídio confesso, as autoridades apuram a origem da arma utilizada e o suposto roubo de um veículo para a fuga após o crime.
A liberação pós-confissão
A liberação do investigado após a confissão causou estranheza, mas é o rito da lei quando não há mais o flagrante nem o mandado de prisão. O que chama a atenção é o planejamento: o uso das redes sociais para monitorar a vítima e a escolha do momento em que ela estaria vulnerável. Há versões de que Rafael seria ligado à organização criminosa, mas isso não foi confirmado pelas autoridades.
Há muitas arestas, inclusive sobre a posse dessa arma e a fuga. A Polícia Civil reforça que o investigado segue sendo tratado como suspeito, e que novas diligências estão em curso.
Veja matéria de Carlos Simões exibida no JT1, apresentada por Artur Tigre. É só clicar abaixo
Veja também: nota na íntegra da defesa
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