Influenciadora Monniky Fraga é presa suspeita de forjar o próprio sequestro
Operação "Cortina de Likes" cumpre mandados em três estados; polícia afirma que farsa serviu para "angariar seguidores"
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A Polícia Civil de Pernambuco prendeu, na manhã desta terça-feira (24), a influenciadora digital Monniky Fraga. Ela é o alvo central da Operação "Cortina de Likes", deflagrada pelo Grupo de Operações Especiais (GOE). A investigação aponta que a mulher teria forjado o próprio sequestro em abril de 2025 para obter engajamento em redes sociais e vantagem financeira.
Além de Monniky, foi preso Denner José da Silva, ex-presidiário com antecedentes criminais e suposto envolvimento em homicídios. Um terceiro suspeito, Caio Barbosa, morreu antes da conclusão do inquérito. O marido da influenciadora, Lucas Vieira, foi ouvido, mas a polícia descartou sua participação na trama.
"Isso não é uma brincadeira", diz delegado
Segundo o delegado Jorge Pinto, do GOE, as investigações que começaram há quase um ano detectaram que o crime de extorsão mediante sequestro, na verdade, nunca existiu. Para a polícia, os indícios apontam que a própria influenciadora foi a mentora da farsa.
"Isso não é uma brincadeira. A gente entende que isso precisa ser coibido, isso configura crime. A partir do momento que se dá acionamento a toda a nossa unidade, que responde por todo o Estado, isso coloca em xeque não só as instituições públicas, mas também o aparato operacional da delegacia", afirmou o delegado.
O suposto crime e a "versão dos 100 mil"
O caso ocorreu em abril de 2025, em Igarassu. Na época, Monniky Fraga relatou em entrevistas que ela e o marido haviam sido rendidos por três homens armados. A versão sustentada era de que os criminosos exigiram R$ 100 mil de resgate, mas aceitaram R$ 6 mil para libertar o casal.
A Polícia Civil identificou contradições nos depoimentos e nas provas técnicas. A operação de hoje classifica o episódio como associação criminosa, extorsão, fraude processual e falsa comunicação de crime. "Detectamos que tudo não passou de uma fraude com o objetivo de angariar seguidores", reforçou Jorge Pinto.
Mandados e apreensões
A "Cortina de Likes" mobilizou 30 policiais civis para o cumprimento de mandados expedidos pela Vara Criminal de Igarassu. Além do Grande Recife, as equipes atuaram em João Pessoa (PB) e Várzea Paulista (SP), onde foi cumprido um mandado de busca domiciliar. O material apreendido foi levado para a sede do GOE, no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife.
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