Delegada diz que atirador confessa "arrependimento" e evita apontar contradições
André Maia alega que intenção era apenas "causar dano" ao patrimônio; áudios revelam plano de matar ex-mulher e ex-sogra mesmo dentro do presídio
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Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (20), a delegada Larissa Souza falou sobre a versão de "arrependimento" do empresário André Maia Oliveira, 48 anos, para tamanha agressão contra a ex-mulher, a ex-sogra e o próprio filho.
Durante a entrevista, a delegada manteve uma postura contida, evitando contestar o agressor ou apontar as contradições do depoimento, apesar da insistência da repórter Rafaella Pimentel, da TV Tribuna PE/Band, que levantou os pontos de conflito entre a fala do empresário e as provas do crime.
O empresário, que aterrorizou o bairro do Espinheiro ao disparar 20 vezes contra o apartamento da ex-esposa, havia se entregado à polícia ainda na quinta-feira (19), após o cerco se fechar e a repercussão do caso ganhar as redes sociais.
Na coletiva de imprensa, a delegada chegou a utilizar o termo "homicídio" no início de sua fala e acatando, sem contestar o criminiso (que foi gravaad), como normalmente fazem os delegados e delegadas, ameaças que são uma afronta ao Estado. Não quis dar detalhes do caso, nem adiantar por quais motivos ele será indiciado. Segundo ela, na versão do empresário, os disparos seriam apenas para "causar dano" ao patrimônio.
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Contradições e a fúria dos 20 disparos
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que André invade o prédio arrombando o portão com o próprio carro. Armado com uma pistola .380, ele subiu até o andar da ex-mulher e descarregou a arma contra a porta. No interior do imóvel, além da vítima, estavam a ex-sogra e o filho do casal, de apenas 8 anos.
A perícia no local, no entanto, ainda não foi realizada, um atraso que compromete a tipificação imediata do crime e a coleta de provas materiais cruciais. As cenas de terror ocorreram na madrugada de quarta-feira (18).
A versão do empresário, de que agiu em um "momento de raiva" para assustar a família, é pulverizada pelas gravações enviadas por ele mesmo. Nos áudios, André não apenas confessa a intenção de matar, como detalha o plano de usar um galão de gasolina — que ele de fato levou ao prédio — para incendiar o local com todos dentro. Depois, diz que já acertou com alguém para matar a ex-mulher e a ex-sogra, quando fosse preso.
“Você vai tomar no c*** na minha mão, entendeu? [...] Eu vou ser preso, agora você ou sua mãe… nem se preocupe com seu filho. Isso é uma ameaça, eu tentei derrubar a porta, a gasolina tá lá fora para tocar fogo nessa p**** com vocês dentro. Eu só ia tirar a p**** de dentro, mas vocês iam queimar no fogo do inferno. Tu entendeu? [...] Mesmo preso, não durma, não durma, eu vou lhe buscar.”
Note, leitor ou leitora, que ele fala "seu filho", como se não fosse pai e não se importasse com os danos causados à criança, a ponto de efetuar 20 disparos com arma de fogo com o menino dentro do imóvel, o que é um agravante ao crime, segundo a lei brasileira.
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O risco real para a criança e a falha na proteção
Embora o agressor afirme no áudio que pouparia o filho, a trajetória dos 20 tiros contra a porta criou um risco iminente de morte para a criança, que poderia ter sido atingida por balas perdidas ou estilhaços dentro da sala.
A delegada Larissa Souza confirmou que o empresário já possuía uma medida protetiva contra ele desde o dia 13 de março, expedida após denúncias de perseguição e ameaça. Para Larissa, a decisão judicial, em vez de frear a violência, serviu de gatilho para o ataque planejado.
Arsenal e as novas ameaças de dentro da prisão
André Maia afirmou ser Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), mas não apresentou documentação da arma utilizada. A polícia aguarda informações do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) para confirmar se ele possuía porte ou apenas a posse do armamento.
Diante das ameaças explícitas de que contrataria matadores de dentro do sistema prisional para "buscar" a ex-mulher e a ex-sogra aqui fora, a investigação trata os novos áudios como "novos crimes" a serem analisados dentro do mesmo inquérito. O empresário foi levado para audiência de custódia e permanece à disposição da Justiça. O nome das vítimas está sendo preservado.
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