O que a floresta ensina sobre cura emocional, imunidade e autocuidado
Conhecimentos ancestrais ganham leitura contemporânea no cuidado com corpo e mente
A floresta não oferece respostas prontas, mas aponta caminhos. Nesta entrevista, a terapeuta floral e aromaterapeuta Lizandra Maria Ferreira de Borba compartilha sua experiência com florais e aromaterapia e reflete sobre como as medicinas da natureza podem auxiliar no equilíbrio emocional, na imunidade, no enfrentamento de traumas e nos processos de recomeço. Uma conversa sobre escuta, cuidado e o que a floresta ainda tem a ensinar para 2026.
Veja entrevista na íntegra
O que a floresta pode oferecer neste início de ano às pessoas?
A floresta, por si só, já ajuda muito no nosso equilíbrio mental e emocional. Mas, como vivemos numa cidade que exige outro ritmo de conexão, a aromaterapia e os florais são formas potentes que nos ajudam a nos conectarmos com os benefícios que a natureza pode nos trazer. Cada planta possui diferentes propriedades medicinais que podem atuar no equilíbrio do nosso corpo emocional, mental, energético e até mesmo no corpo físico, como, por exemplo, os óleos essenciais de melaleuca e orégano, que estão muito atuantes na proteção contra a baixa da imunidade e são potentes bactericidas.
Onde você mora atualmente e há quanto tempo trabalha com florais?
Atualmente, moro Várzea, uma área que ainda tem uma forte presença da natureza, mesmo já estando no ritmo da cidade. Atuo com florais há cinco anos.
Por que você escolheu trabalhar com florais?
Sempre senti um chamado para trabalhar com a área emocional das pessoas e com as flores. Quase cursei Psicologia e Biologia, mas fui para Administração, o que hoje me ajuda muito a organizar meu trabalho como empreendedora. Ao longo do caminho do autoconhecimento, junto às medicinas da floresta, fui resgatando dons e conhecimentos ancestrais que me levaram de volta a esse caminho de terapias ligadas à natureza.
Quais aromas ajudam no foco e no cumprimento de metas?
Normalmente, crio algumas alquimias personalizadas. Neste momento, tenho um perfume na linha do orixá Oxóssi, que está bem intencionado para foco e alcance de metas. Ele possui óleos ligados a esse aroma de floresta, que ajudam a alinhar o mental, como alecrim, capim-limão e tomilho.
Que tipo de óleos podem atuar no acolhimento e na recuperação emocional?
Recomendo muito o óleo de pau-rosa, uma planta paraense muito exportada, mas ainda não tão valorizada no Brasil. Ele atua no sistema nervoso central. Dentro da aromaterapia, também temos o gerânio, as rosas e a lavanda, que é uma grande mãe na aromaterapia, por atuar em diversos campos, especialmente no suporte emocional. Para quem não curte aromas doces, o pinho-sibéria e a manjerona ajudam muito nesse processo de liberação de traumas. Claro que tudo também depende de uma cadeia de outros suportes.
Plantas podem ajudar a restaurar a autoestima?
Plantas cítricas ajudam muito no resgate da alegria. Os sentimentos estão sempre conectados, então esse resgate da autoestima também passa por outros desbloqueios emocionais. O gerânio e o ylang-ylang também vêm trazendo essa ajuda, pois atuam no campo hormonal, promovendo confiança e segurança. Além disso, o uso de produtos naturais faz um convite à conscientização sobre a importância do autocuidado.
Quais óleos ajudam a atravessar o novo ciclo?
Além dos óleos citados anteriormente, neste começo de ano tenho recomendado bastante os produtos que ajudam no fortalecimento da imunidade, como copaíba, orégano e a seiva de sangue-de-dragão. Temos observado muitos casos de pessoas com viroses constantes e alguma baixa imunológica, o que também reflete esse período de finalizações de ciclos, recomeços e desapegos. Há ainda a necessidade de acolhimento, com óleos como lavanda e manjericão para trazer equilíbrio, além da canela, pimenta-rosa e capim-limão, que ajudam a dar mais energia para recomeçar. É sempre muito importante buscar a ajuda de um profissional da área para compreender cada caso.
Que recado a floresta pode dar para quem não quer repetir erros do passado?
Curar não é voltar. O mais importante é abrir espaço para o novo entrar e fazer as mudanças necessárias para que isso aconteça. Nem sempre é fácil; às vezes, levamos anos para realizar algo. Mas tudo começa com o reconhecimento do que precisa ser feito para mudar a nossa parte. O auxílio terapêutico está cada vez mais acessível e disponível para que possamos acessar mudanças de forma leve e amorosa. A natureza sempre tem alguma cura a nos oferecer. Estar em harmonia e zelar pelo meio ambiente é garantir saúde e boa vida para todos nós.
Veja mais na coluna Pernambuco que encanta da semana - O recado da floresta para 2026: curar não é voltar, é abrir espaço
Sobre a entrevistada
Lizandra Maria Ferreira de Borba (41) é terapeuta floral e aromaterapeuta, atua há cinco anos com florais e mora na Várzea, no Recife-PE.
Instagram: @flordasmatas | @lizborba
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