Galo da Madrugada 2026: escultura gigante homenageia o legado de Dom Helder Câmara
Com 32 metros e inovações em 3D, alegoria une a fé do "Dom da Paz" à revolução na saúde mental de Nise da Silveira
O gigante já tem forma e alma para o Carnaval 2026. Os detalhes da escultura do Galo da Madrugada - a majestade que brilha durante no período carnavalesco na capital pernambucana - foram divulgados pela Prefeitura do Recife.
Com 32 metros de altura e 8 toneladas, a alegoria presta uma homenagem oficial a Dom Helder Câmara, o "Dom da Paz". O monumento, que ocupará o centro do Recife entre 11 e 18 de fevereiro, traz como tema a fraternidade e a esperança. Foi batizado de "Galo Folião Fraterno".
Dom Helder, conhecido pela atuação junto às populações vulneráveis, via no Carnaval um ato de fé. "É verdade que na quarta-feira (de Cinzas) a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida", dizia o religioso. Em 2026, esse legado de afeto ganha forma na obra assinada pelo designer Leopoldo Nóbrega e pela arquiteta Germana Xavier.
Sustentabilidade e tecnologia do sertão ao litoral
A escultura é 100% sustentável, com "roupa de gala" composta por CDs, redes de pesca, conchas, garrafas PET e descartes têxteis. As cores verde, amarelo, azul e branco exaltam a bandeira nacional e referenciam o Recife como sede da Copa Feminina de Futebol em 2027.
O visual promove um diálogo entre o Sertão e o Litoral, unindo elementos do gibão do cangaço a biojoias tecnológicas. A inovação aparece no uso de impressoras 3D por núcleos de robótica comunitários para confeccionar as 27 estrelas da alegoria. No peito, um sagrado coração iluminado por LED simboliza a união entre vida e ciência.
"Cartas de Nise para Dom Helder"
A edição de 2026 também presta uma homenagem fundamental à médica alagoana Nise da Silveira, que revolucionou o cuidado em saúde mental no Brasil. Ancorada na obra de Nise, referência mundial da Terapia Ocupacional, a construção da alegoria utilizou a arteterapia como método central. A iniciativa reforça a importância da arte e da cultura como recursos para o tratamento de sofrimentos mentais.
Grande parte dos ornamentos foi elaborada por usuários da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e pessoas em situação de rua, em oficinas coordenadas pelo Instituto Leopoldo Nóbrega.
Técnicas de pontilhismo e termocolagem deram vida às peças que, para os criadores, funcionam como "cartas de Nise para Dom Helder". Nas penas da cauda, espirais de DNA e sombrinhas de frevo completam a cena que mistura ciência, tradição e inclusão social.
Assim, o Galo de 2026 deixa de ser apenas uma escultura para se tornar um abraço coletivo. É o encontro da paz de Dom Helder com o cuidado de Nise, lembrando que, no Recife, o Carnaval é a cura que a gente borda à mão.
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