Tensões no Oriente Médio já pressionam preços dos combustíveis no Brasil
Escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã trava rotas estratégicas e amplia defasagem entre o mercado interno e preços internacionais
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A guerra entre Estados Unidos e Irã lançou o mercado global de petróleo em um período de intensa instabilidade, com reflexos imediatos nas projeções de preços e na logística de distribuição. No centro da crise está o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, via por onde escoa aproximadamente 25% do petróleo mundial, onde mais de 150 embarcações aguardam condições seguras de navegabilidade. Diante do risco de interrupção no fluxo de combustível no mercado internacional, o barril de petróleo já flerta com a marca de US$ 100 em contratos internacionais, gerando uma pressão automática sobre a paridade de preços no Brasil.
Embora a Petrobras ainda não tenha oficializado novos reajustes, o mercado doméstico já opera com uma defasagem acentuada em relação ao exterior, especialmente no diesel e na gasolina. Esse desequilíbrio é monitorado de perto pelo setor, uma vez que o encarecimento da gasolina costuma arrastar o preço do etanol, que enfrenta adicionalmente um período de entressafra no Nordeste, reduzindo a oferta regional.
NORDESTE MAIS AFETADO
Segundo Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE, essa correlação de preços é inevitável e reflete a busca por competitividade entre os combustíveis. "A situação é particularmente sensível na região Nordeste, que possui uma dependência elevada de produtos importados e de refinarias privadas, como a Acelen, cujas políticas comerciais seguem rigorosamente as variações do dólar e do barril de petróleo", diz Alfredo Ramos.
Para os revendedores, o cenário impõe um desafio de gestão, já que os postos de combustíveis ocupam a ponta final da cadeia e dependem exclusivamente dos valores praticados pelas distribuidoras. O presidente do Sindcombustíveis ressalta que o momento não configura um anúncio prévio de alta, mas um alerta técnico sobre como o aquecimento do cenário internacional pode elevar os custos de reposição em toda a malha de abastecimento nacional.
"Os reajustes já estão acontecendo nas distribuidoras por conta das tensões geopolíticas. e estão acontecendo em maior frequência, praticamente todos os dias", explica Alfredo Ramos. Ou seja, essa turbulência nos preços deve chegar nos postos em breve. "Os postos que têm estoques maiores conseguem segurar o preço por mais algum tempo, mas não muito. Nesse cenário, o preço de todos os combustíveis serão afetados, com reflexos maiores no diesel e na gasolina, mas também no etanol e no GNV, esses últimos sendo menos afetados", esclarece.
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