Por que o desconto da Petrobras demora a chegar no bolso do pernambucano?
Presidente do Sindicombustíveis explica o peso de impostos e da logística no preço
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O anúncio de queda no preço da gasolina pela Petrobras nem sempre significa alívio imediato nas bombas de Pernambuco. Segundo Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE, os postos de combustíveis não compram o produto diretamente da estatal, mas sim de distribuidoras. Nesse trajeto, custos de transporte, mistura de biocombustíveis e a falta de dutos no Nordeste travam o repasse integral do desconto ao consumidor.
O caminho do combustível
O Nordeste vive uma realidade logística diferente do Sul e Sudeste. Sem uma rede de dutos (canos subterrâneos) para o transporte, a região depende de navios e caminhões. Atualmente, apenas entre 30% e 40% da gasolina consumida aqui vem da Petrobras.
O restante é suprido pela Refinaria Acelen (Bahia), privatizada no governo Jair Bolsonaro, e por importadoras. Quando a Petrobras baixa o preço em suas refinarias, a queda não atinge automaticamente as outras fornecedoras que abastecem o mercado regional.
Embora Pernambuco tenha uma refinaria, a Abreu e Lima, localizada em Suape, ela é focada principalmente na produção de Diesel S-10, que corresponde a cerca de 70% de sua produção total.
Diferente da Acelen na Bahia, que já opera com um portfólio completo de gasolina, a RNEST foi projetada para reduzir a dependência brasileira de diesel importado. Com a recente conclusão da ampliação do Trem 1 (dezembro de 2025) e o início das obras do Trem 2, sua cesta de produtos e capacidade estão em expansão.
Mesmo com a expansão (Trem 2), o objetivo anunciado pela Petrobras permanece sendo o aumento da oferta de diesel para o mercado do Norte e Nordeste. Não há planos públicos para a instalação de uma Unidade de Craqueamento Catalítico (FCC), que é o "coração" da produção de gasolina em uma refinaria.
Onde o desconto "trava"
A queda anunciada de R$ 0,14 pela Petrobras muitas vezes chega reduzida às empresas nordestinas. Ramos afirma que, em anúncios recentes, recebeu apenas R$ 0,06 de redução das distribuidoras.
Além disso, a gasolina vendida nos postos contém 30% de etanol anidro. Se o preço do álcool sobe no mercado, ele anula a queda da gasolina pura. Segundo o sindicato, cerca de 80% do valor final na bomba é composto por custos de extração, refino e impostos (como os R$ 1,57 fixos de tributos por litro).
"O que trava a redução de preços é o mercado, os aumentos invisíveis... O álcool anidro, por exemplo, subiu quase R$ 60 centavos, o biodiesel é duas vezes o valor do diesel. ninguém sabe que teve aumento do biodiesel e, o etanol, é o mercado que regula".
Custos e fiscalização
Segundo Alfredo Ramos, manter um posto aberto exige o cumprimento de 12 a 14 licenças anuais, envolvendo órgãos como Ibama e Procon. O setor opera com margens médias de lucro de 14% para gasolina, 8% para etanol e 4% para diesel. O empresário ainda ressalta que o preço final também é impactado por custos fixos, como folha de pagamento e energia. Ramos alerta que preços excessivamente baixos podem esconder fraudes, como a mistura irregular de combustíveis, o que prejudica a livre concorrência e a saúde financeira dos revendedores tradicionais
Para o presidente do Sindicombustíveis-PE, o cenário atual exige uma briga diária por preços mais competitivos junto às distribuidoras. Ramos destaca que o empresário do setor convive com uma alta carga de responsabilidades e custos que variam constantemente, como o preço do etanol anidro e do biodiesel. Segundo ele, o setor segue sob rigorosa fiscalização de diversos órgãos, e o desafio permanece em equilibrar as contas diante de um mercado internacional volátil e de uma logística regional limitada.
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