Grupo João Santos é vítima de fraude do Banco Master
Atual diretoria entrou com ações que tramitam no Tribunal de Justiça de Pernambuco para recuperar o direito sobre os títulos precatórios
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Uma reportagem publicada nesta sexta-feira (20) por um dos principais portais de notícias do Brasil detalha como o Grupo João Santos, que já foi um gigante industrial do Nordeste, foi vítima de um esquema de fraudes. O caso envolve o Banco Master e aconteceu na última década, transformando usinas em "fábricas" de créditos falsos que somam R$ 8,7 bilhões.
O centro da investigação é a Companhia Agroindustrial de Goiana (CAIG), a conhecida Usina Santa Tereza. Segundo a denúncia, títulos de dívidas que a União deveria pagar à usina (chamados de precatórios) foram usados de forma irregular pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Na prática, são títulos de dívidas que não têm valor real ou garantia de pagamento, usados apenas para "inflar" o patrimônio de um banco de forma enganosa.
O caso é revelado na reportagem Usinas falidas viraram 'fábricas de créditos' de R$ 8,7 bilhões no Master.
O sumiço do valor real
Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Governo Federal devia cerca de R$ 983 milhões à usina. Porém, quatro anos depois, esses documentos foram parar nas mãos do Banco Master por menos de 20% do valor real. Hoje, esse título já vale mais de R$ 1,78 bilhão nos balanços da instituição financeira.
Investigação e busca e apreensão
Em 2017, enquanto a Companhia Agroindustrial de Goiana (CAIG) sofria com dívidas de impostos e salários atrasados, a antiga diretoria do Grupo João Santos repassou esses títulos para fundos de investimento (Luna, Horizon, Atenas e Dublin). Esses fundos são operados por empresas que hoje são alvos de busca e apreensão da Polícia Federal.
Dinheiro não chegou ao trabalhador
Na época, os fundos teriam pago R$ 171 milhões pelos títulos. No entanto, o dinheiro não foi usado para pagar os trabalhadores ou fornecedores: apenas R$ 30 milhões entraram de fato no caixa da usina. O restante sumiu no caminho. Atualmente, a nova diretoria do grupo move ações no Tribunal de Justiça de Pernambuco para recuperar esses valores e bloquear o pagamento ao banco.
Prejuízo vem desde o regime militar
O dinheiro em disputa vem de uma indenização que o governo deve a várias usinas do país. O problema começou nos anos 70 e 80, durante o regime militar. Naquela época, o então extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) controlava os preços do açúcar e do álcool de um jeito que causou prejuízos enormes para as empresas do setor, que agora têm o direito de receber esses valores de volta.
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