Dívidas: fardo invisível que abala 62% dos casais brasileiros
Seis em cada 10 casados teve a vida afetiva prejudicada por causa das dívidas
O peso das dívidas está cada vez mais evidente na vida dos brasileiros, deixando marcas significativas em suas relações interpessoais e no bem-estar emocional. Segundo dados do Serasa, um impressionante contingente de 62% dos brasileiros admite que suas relações afetivas foram abaladas por problemas financeiros. Pelo menos seis entre 10 pessoas dizem ter a relação com o parceiro prejudicada.
De acordo com o Fernando Lamounier, especialista em educação financeira e diretor da Multimarcas Consórcios: “existem casais que escolhem não tratar de assuntos financeiros na relação, mas é necessário que haja uma comunicação aberta e clara para que atritos não sejam recorrentes afetando o bom convívio no dia-a-dia”.
A amostra do Serasa teve 5.225 entrevistas. Desse total, 1.933 se disseram casados e 1.235 destes tiveram o relacionamento atingido. Boa parte dos casais não consegue seguir juntos após um episódio de dívidas.
A pressão acaba afetando a relação familiar. Isolamento, irritabilidade e discussões são as principais causas listadas neste cenário e 57% se sentiram mal por ter que recorrer a ajuda familiar para saldar dívidas.
Lamounier ressalta que ao recorrer a um familiar para um pedido de ajuda financeira, o indivíduo deve ter em mente que está fazendo outra dívida, mesmo que sem juros, a situação não se resolve.
A mudança
O especialista Fernando Lamounier defende o início de um planejamento financeiro para melhorar a qualidade de vida e dos relacionamentos. Ele dá quatro dicas básicas: “Mapeie sua renda total, isto é, salário e rendas extras, separe as despesas fixas no seu orçamento, como aluguel, condomínio, internet e contas de serviços públicos (água, luz, gás), esquematize as despesas variáveis como alimentação, transporte e gastos com saúde, organize dívidas e pagamentos, como parcelas de empréstimos e cartão de crédito”.
Para o especialista, o lado bom é que a “sou brasileiro e não desisto nunca” continua valendo. A pesquisa revela que 70% dos endividados têm esperança de conseguir quitar as suas dívidas. Comparado ao ano anterior, a esperança dos brasileiros subiu 11%, o que mostra que planejamento e resiliência são ingredientes para que isso aconteça.
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