A rotina de dívidas que insiste em assombrar os times pernambucanos
O futebol pernambucano, mais uma vez, protagoniza capítulos de surpresas desagradáveis para sua apaixonada torcida. Quando o assunto é dívida e mais dívidas, o torcedor já não se assusta, mas lamenta profundamente que essa prática persista nos bastidores. Infelizmente, pelo menos ao meu ver, a saúde financeira dos clubes não é repassada periodicamente aos sócios e na maioria das vezes ele só fica ciente quando o escândalo vem à tona através da imprensa. Estou mentindo?
Vou começar com o Náutico. O Timbu subiu "rastejando" (mas subiu), garantiu o acesso da Série C para a Série B. Um alívio. Importante feito. Mas até o técnico Hélio dos Anjos já deu o recado, alertando que se não houver evolução dentro do clube e da estrutura, a permanência na segunda divisão será uma missão difícil. O alerta é legítimo. A diretoria alvirrubra, que acumulou atraso de salário, iniciou o pagamento e tem a promessa de quitar o mês de novembro nesta semana. O torcedor e o elenco esperam que essa promessa seja, de fato, cumprida.
O Sport é hoje a maior decepção do futebol pernambucano, principalmente devido a uma Série A digna de um filme de terror. A gestão de Yuri Romão, antes elogiada, sofreu uma reviravolta que chocou até mesmo quem possivelmente vinha elogiando. O Leão, que investiu mais de R$ 60 milhões na formação do time para a temporada, encerrou o ano devendo até a distribuidora de energia elétrica, que precisou ir à sede do clube para realizar o desligamento — um acordo de última hora salvou o Sport do apagão da eletricidade, se já não bastasse o de dentro de campo. O clima segue pesado, tenso, incerto e vergonhoso. Uma crise no âmbitos político, administrativo e, principalmente, futebolístico. A renúncia iminente de Yuri Romão e uma eleição direta surgem, na visão dos torcedores, como uma pequena luz no fim do túnel.
Luz, lanterna, companhia elétrica, escuridão… que fase terrível do Sport!
Por fim, o Santa Cruz, aquele que era visto como o futuro milionário, ainda vive a rotina de contas no vermelho, uma situação que já vimos no passado nas Repúblicas Independentes do Arruda. Apesar dos esforços do presidente Bruno Rodrigues, enquanto a SAF não operar de fato, a evolução consolidada e sustentável do clube tricolor permanecerá apenas na imaginação do torcedor. A prova mais recente é a situação de Thiago Galhardo. Contratado como ídolo, o atacante que está beirando o fim de carreira e que não correspondeu dentro das quatro linhas, agora cobra salários atrasados, FGTS e pede rescisão contratual na Justiça, visto que a Cobra Coral, segundo o atleta, não teria honrado seus compromissos.
Que dias melhores venham, mas para isso, é urgente que nossos clubes se tornem mais profissionais, com gente profissional e pensamento profissional. Até agora, o que temos visto são muitos argumentos, mas poucos resultados na prática.
Enquanto Sport, Santa Cruz e Náutico não abraçarem, de verdade, o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), vexames e crises financeiras continuarão acompanhando as instituições. O torcedor pernambucano merece mais.
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