Como não cair no golpe do falso advogado
Bandidos agora querem, além do seu dinheiro, roubar seus dados pessoais
Edilson Vieira
Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, com pós-graduação em Ciência Política pela mesma instituição. Trabalhou com marketing político. Atuou como repórter, produtor, e editor de texto de TV, e ainda como assessor e gerente de comunicação em assessorias de imprensa de empresas públicas. Foi repórter e colunista no Sistema Jornal do Commercio de Comunicação por 11 anos, nas editorias de Veículos e Economia. Está no Portal Tribuna Online PE desde julho de 2023.
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Imagine a cena: você está aguardando o desfecho de um processo judicial — algo que, sabemos bem, costuma ser lento e desgastante. De repente, surge uma notificação no WhatsApp. A foto de perfil é do seu advogado ou do logotipo do escritório dele. A mensagem traz uma "ótima notícia": o alvará foi liberado ou a causa foi ganha, mas, para receber o dinheiro, você precisa pagar uma taxa de "custas processuais" ou um imposto de última hora.
Cuidado. Esse é o golpe do falso advogado, uma modalidade de fraude que tem crescido de forma alarmante e ferido diretamente o direito à segurança do consumidor de serviços jurídicos. Como colunista e observador das relações de consumo, vejo que os criminosos se aproveitam da vulnerabilidade emocional e da falta de conhecimento técnico do cidadão. Eles conseguem dados públicos sobre processos e montam um cenário convincente. Mas a regra de ouro é clara: nenhum Tribunal ou escritório de advocacia solicita depósitos via Pix ou transferências bancárias para liberar valores de processos.
A polícia já faz relações entre esse tipo de golpe e o crime organizado. Há divisão de tarefas e até suporte tecnológico. Por exemplo, em uma nova versão desse golpe, a mensagem não pede o pagamento de valores, mas "apenas" para que você olhe para a câmera do celular e faça uma prova de vida para atualização de um suposto cadastro. Como o bandido (ou quadrilha) já tem sua documentação como número de RG e CPF, com a imagem de seu rosto, ele pode pedir empréstimos ou talvez abrir empresas em seu nome. É assustador.
Para não se tornar a próxima vítima, recomendo três passos fundamentais:
Desconfie do senso de urgência: O golpista sempre diz que você precisa pagar "agora" para não perder o prazo. O processo judicial não funciona assim.
Cheque o canal de comunicação: Se o contato veio de um número novo, desconfie. Mesmo que o número pareça o correto, não faça pagamentos sem antes ligar para o telefone fixo do escritório do advogado ou pedir para a pessoa fazer uma chamada de vídeo.
Dados são valiosos: Nunca forneça senhas, códigos de confirmação ou fotos de documentos por mensagens instantâneas.
Lembre-se: o advogado é seu aliado e ele já possui seus dados. Se o "contato" pede algo que foge ao contrato assinado originalmente, acenda o alerta vermelho. Se você foi vítima, o caminho é registrar um Boletim de Ocorrência imediatamente e comunicar o ocorrido à OAB e ao seu banco. Proteger seu bolso começa por proteger sua informação.
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