"Queremos respostas": família de remador do Sport cobra clube após morte no rio
Após 24h de buscas com bombeiros e voluntários, corpo de Edvane Cesar é localizado por pescador; falta de respostas gera indignação
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Com informações de Rafaella Pimentel
A angústia que mobilizou o Recife nas últimas 24 horas terminou em revolta na manhã desta terça-feira (3). Nas águas turvas e cercadas por detritos do Rio Capibaribe, o corpo de Edvane Cesar do Carmo, de 51 anos, foi finalmente localizado. As perguntas da família, no entanto, seguem sem respostas.
A vítima foi achada na maré baixa pelo pescador José Severino da Silva, por volta das 5h, nas proximidades do Parque das Graças. O ponto é praticamente o mesmo onde Edvane submergiu na manhã desta última segunda-feira (2). O desfecho encerra uma operação que uniu mergulhadores dos Bombeiros durante o dia e uma vigília de familiares com barcos e drones durante a noite.
“Eu vim para ajudar a turma. Comecei às 5h, vi que a maré estava baixando e acabei encontrando", relatou o pescador José Severino, que auxiliou voluntariamente nas buscas.
Edvane era aluno de remo há apenas dois meses. A imagem do corpo sendo removido por um bote dos bombeiros até a rampa da sede de remo do Sport, na Ilha do Retiro, selou o destino trágico de um treino que começou sob chuva e terminou em um luto carregado de questionamentos.
A dor que exige explicações
A indignação da família ganha voz nas interrogações de Ginaldo Trajano, cunhado de Edvane. Para ele, o acidente expõe falhas gritantes na supervisão do Sport. Edvane teria saído para remar sem a companhia de um instrutor.
“Queria chamar a atenção das autoridades, do Corpo de Bombeiros, para que houvesse fiscalização dessas escolas. As correntezas do rio são muito fortes. A gente ainda vai apurar os fatos. Pode ter sido um afogamento, mas também pode ter sido outra causa”, afirmou Ginaldo, destacando que a família já registrou um Boletim de Ocorrência.
Para o cunhado, os pontos omissos são graves. “A Polícia Civil precisa apurar: por que ele saiu sem colete? Por que não tinha instrutor? Como uma escola não tem um pronto atendimento?”, indagou. Ele acrescentou ainda um detalhe perturbador: “Como alguém vai para o rio sem saber nadar? Por que o treino não foi na piscina do clube? Inclusive, o caiaque que ele usava ainda não foi encontrado”.
O irmão da vítima, Marcos Antônio do Carmo, também cobrou transparência. Ele relatou que uma testemunha que tentou ajudar Edvane no momento da queda foi "preservada" e não falou mais com a família. “O Sport não passou 15 minutos com o barco no rio após o sumiço do meu irmão e voltou. Queremos que digam a verdade, porque até agora não temos nada”, desabafou, em meio a outros familiares que choravam pela perda.
A complexidade do resgate
O Tenente do Corpo de Bombeiros, Leonard Ramos, explicou que a operação foi dificultada pelas condições geográficas e climáticas. “Desde o início dos trabalhos, a gente tentou se concentrar no local onde ocorreu o acidente. Como o fluxo da maré estava para o lado do Sport, em direção ao leito, também fizemos buscas nessa área”, detalhou o oficial.
O militar reforçou que a colaboração do pescador foi fundamental diante da visibilidade quase nula dentro da água. “As condições aqui não são fáceis. A água é turva, tem muito lixo e muito detrito. A gente agradece a colaboração de quem conhece a região. O corpo estava nas proximidades de onde aconteceu e, possivelmente, estava preso devido à correnteza”, completou o tenente.
Luto e investigação
O Sport Club do Recife decretou luto oficial de três dias e afirmou, em nota, que prestou acolhimento aos familiares durante as buscas. Entretanto, o clube ainda não detalhou as diretrizes de segurança sobre o uso obrigatório de equipamentos para alunos iniciantes.
O corpo seguiu para o IML de Santo Amaro. A Polícia Civil agora assume o caso para investigar se houve negligência na instrução ou na supervisão da atividade esportiva que custou a vida do funcionário público.
Veja, abaixo, matéria completa de Rafaella Pimentel exibida no JT1, comandado por Artur Tigre
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