Pernambuco vai retomar monitoramento de tubarões com microchips a partir de maio
Edital marca retomada da pesquisa científica no litoral do Grande Recife e reforça ações de prevenção após quase três anos sem incidentes
Com colaboração de Carlos Simões/JT1
Onze anos depois de suspender a microchipagem de tubarões, Pernambuco vai voltar a monitorar os animais na orla do Grande Recife para identificar áreas de risco, horários de circulação e reduzir a possibilidade de novos incidentes.
A retomada do monitoramento será feita a partir do lançamento do Edital de Monitoramento de Tubarões no Litoral de Pernambuco, que prevê o uso de microchips e marca a volta da pesquisa científica contínua na Região Metropolitana, interrompida desde 2015.
O edital já foi lançado pelo Governo de Pernambuco por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE) e a Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado (FACEPE).
O investimento previsto é de R$ 1,052 milhão, com duração de 24 meses, e o trabalho deve começar a partir de maio.
Do Paiva à Praia do Farol
O monitoramento vai abranger um trecho de 33 quilômetros do litoral, entre a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. A proposta é acompanhar os padrões de deslocamento e o comportamento das espécies de tubarões que circulam pela região, subsidiando políticas públicas de prevenção em áreas consideradas de risco.
Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas em Fernando de Noronha, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Governo de Pernambuco e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Com o novo edital, a atuação será ampliada para o litoral continental, integrando ciência, tecnologia, educação ambiental e segurança aquática.
Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho, o conjunto de ações desenvolvidas pelo governo estadual tem produzido resultados concretos.
“Esse monitoramento é o que há de mais moderno no mundo, parecido com os que existem na Austrália, nos Estados Unidos e em outros países que têm incidentes com tubarão. A gente já começa a ter esses dados para poder exatamente construir uma estratégia que consiga contemplar a presença do ser humano, do turista na praia, no habitat natural do tubarão" Daniel Coelho, Secretário do Meio Ambiente
De acordo com a gestão estadual, Pernambuco está há dois anos e dez meses sem registro de incidentes com tubarões na Região Metropolitana do Recife, resultado atribuído à combinação de ações preventivas, reforço na sinalização e ampliação do trabalho educativo nas praias.
Mais guarda-vidas e reforço no verão
Durante o período de verão, quando aumenta o fluxo de banhistas, o Governo de Pernambuco informou que intensifica as ações de prevenção. Segundo dados divulgados, o número de postos de guarda-vidas é ampliado e o efetivo, que gira em torno de 30 profissionais ao longo do ano, sobe para cerca de 48 guarda-vidas a partir de dezembro, aumentando a capacidade de orientação e resposta nas praias.
Além do reforço humano, quatro embarcações atuam de forma contínua na ronda marítima, distribuídas entre Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes. O trabalho inclui orientação direta aos banhistas que entram em áreas de risco, tanto para afogamentos quanto para incidentes com tubarões, com uma média de 1.300 orientações por dia durante a alta estação.
Cuidados preventivos no banho de mar
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT) e o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco reforçam que o banho de mar, no trecho entre a Praia do Farol, em Olinda, e a Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, deve ocorrer preferencialmente em horários de maré baixa e em áreas protegidas por recifes, sempre respeitando as bandeiras de sinalização.
Entre as principais recomendações estão evitar o consumo de bebidas alcoólicas antes de entrar no mar, não nadar sozinho, redobrar a atenção com crianças e evitar áreas de mar aberto, proximidades de foz de rios, águas profundas ou turvas, especialmente nos períodos de amanhecer e entardecer.
Educação ambiental e ciência aplicada
As ações educativas fazem parte do Edital nº 34/2024 da FACEPE, que apoia projetos de divulgação científica, segurança aquática e conservação marinha. Cinco iniciativas desenvolvidas pela UFRPE e pela UFPE contam com o apoio do CEMIT, abordando desde novas formas de sinalização de risco até estratégias de educação ambiental voltadas à convivência segura entre humanos e tubarões.
No total, o conjunto dessas iniciativas representa um investimento previsto de cerca de R$ 5,5 milhões entre 2023 e 2026, voltado à segurança da população, à informação responsável e à conservação dos tubarões e do ambiente marinho em Pernambuco.
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