Pela 1ª vez em quase três décadas, Paixão de Cristo do Recife não será realizada
Após 27 edições ininterruptas, espetáculo anuncia hiato estratégico para 2026; "Não é um fim, é um recomeço", afirma o produtor Paulo de Castro
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O cenário monumental da Paixão de Cristo do Recife, que se ergue com atores para emocionar o público há quase 30 anos, não será montado em 2026. Pela primeira vez em sua história de 28 anos, o espetáculo interrompe seu ciclo.
A decisão, anunciada pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), marca um hiato inédito para um espetáculo que se tornou parte do DNA cultural e turístico do Estado. Segundo a organização, a pausa é um movimento estratégico para modernizar a estrutura e o modelo de gestão, com retorno garantido para 2027.
"Decisão não nasce da fragilidade"
Para Paulo de Castro, produtor-geral do evento e diretor da Apacepe, a ausência neste ano não deve ser lida como um sinal de fragilidade, mas como um exercício de fôlego. Ele descreve o momento como uma preparação minuciosa para elevar o padrão artístico da montagem que, desde os tempos do Estádio do Arruda até a consolidação no Bairro do Recife, nunca havia deixado de acontecer.
"Essa decisão não nasce da fragilidade, mas da força. Não nasce da desistência, mas da consciência de que um espetáculo desse porte precisa evoluir continuamente", afirma Castro. O produtor enfatiza que os bastidores — onde centenas de figurinos circulam e efeitos especiais ganham vida — exigem agora uma reestruturação profunda para valorizar quem faz a arte acontecer.
Engrenagem de sonhos e empregos
Mais do que um rito, a Paixão é um motor econômico. São mais de 200 empregos diretos, entre atores, técnicos e operários, e outros 600 indiretos que movimentam da costura à hotelaria. Paulo de Castro pontua que o ano de 2026 será dedicado a um plano ampliado de captação de recursos e parcerias institucionais. O objetivo é modernizar processos e garantir que os "trabalhadores da cultura tenham respeito e condições dignas".
"Estamos estruturando um novo ciclo. Isso inclui investimentos consistentes em figurinos, cenários e tecnologia. Só quem vive os bastidores entende o quanto é fundamental transformar essas experiências em crescimento", detalha o diretor.
O reencontro em 2027
A Paixão de Cristo do Recife, que transcendeu o palco para virar símbolo de pertencimento, promete um retorno à altura de sua tradição. Enquanto o Marco Zero terá uma Semana Santa silenciosa neste ano, a produção projeta um "novo capítulo" para 2027.
"Não se trata de um fim. Trata-se de um recomeço. Em 2027, retornaremos mais fortes do que nunca", garante Castro. Para o público que há três décadas prestigia a montagem, a promessa é de um espetáculo mais estruturado e grandioso: "A paixão do povo segue viva, pulsante e em construção".
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